Partilhar é preciso

fbshareNesta semana que passou voltaram a perguntar-nos quantas assinaturas faltam — duas vezes. Já tinha saudades.

O número referente à última contagem está nas FAQ (“perguntas frequentes”)  deste site. Também é sabido que as assinaturas em papel estão a ser objecto de levantamento exaustivo, agora com recolha de dados. O número apurado nesta contagem poderá até ser superior e, naturalmente, será também aqui divulgado.

Nunca quisemos esconder números como, de resto, jamais escondemos fosse o que fosse. Sempre deixámos que mentiras e mistificações fossem um exclusivo dos acordistas e seus aliados.  Quanto a esse pormenor do total de subscrições apurado em cada momento, apenas pedimos, em especial aos subscritores e militantes da ILC, que evitassem a questão. Por vários motivos mas por uma razão muito especial, simples e compreensível: os números eram baixos e, como tal, desmotivadores.

Quando começaram a surgir essas perguntas — perguntas legítimas no início, diga-se — teríamos talvez mil assinaturas ou menos, não sei ao certo, porque “não sou desse tempo”. Mas sei que, se esse número tivesse sido divulgado, a ILC ter-se-ia certamente ficado por aí — e não teríamos jamais chegado perto das 15.000 que é onde estamos hoje.

Teria eu enviado a minha própria assinatura, que recebeu o número 1472, se soubesse que iria perfazer uns meros 4,2% do total necessário? Recorde-se que estamos a falar do tempo das assinaturas em papel para um total de 35.000.

É claro que nada disto tem que ver com a maior ou menor aceitação do Acordo Ortográfico. O baixo número de subscrições reflectia, única e exclusivamente, a aversão das pessoas ao papel — e ao envelope e ao selo de correio — numa era em que tudo passou a ser feito em computador. Mas, além de desmotivador, o número prestava-se também a essa leitura por parte dos defensores do AO e essa era outra razão para não o divulgarmos.

Claro que não foi fácil explicar isto. Por diversas vezes nos vimos nesta espécie de beco sem twitter_sharesaída: como dizer que não divulgamos o número porque é baixo… sem dizer que o número é baixo? Felizmente, a maioria compreendeu e sempre pudemos contar com a solidariedade e até a cumplicidade de subscritores e activistas da Iniciativa. Ao fim e ao cabo, a Causa, isto é, a revogação do AO90, é um desígnio que está acima de todos nós e, se a dada altura pareceu ter havido anti-acordistas que perderam esse Norte, terão sido certamente uma minoria.

Felizmente, hoje em dia, é mais fácil falar deste assunto. Agora os números são motivadores. Três quartos do caminho estão agora ultrapassados e contamos com a subscrição electrónica para nos ajudar a cumprir o quartel que falta. Com a nova subscrição em papel, mas principalmente com esta (revolucionária) subscrição online, as assinaturas voltaram a afluir.

Agora é preciso aumentar o ritmo de subscrições de modo a chegarmos o mais rapidamente possível ao total de 20.000 que a lei exige.

Esta é uma tarefa que diz respeito a todos, já que é de todos o património que a ILC-AO visa defender. página de subscrição online é uma arma contra o AO90 mas é uma arma defensiva — ofensivo é o “acordo”. A divulgação dessa página de subscrição é agora crucial na nossa luta comum.

Não nos esqueçamos deste pormenor: a esmagadora maioria das pessoas que frequenta o Facebook da ILC, ou mesmo este site, já subscreveu esta Iniciativa. É preciso furar este “circuito fechado” de divulgação e levar a ILC àqueles que podem ainda subscrevê-la, os que não o fizeram antes por simples desconhecimento da Iniciativa e os que (ainda) não sabem que podem agora subscrevê-la electronicamente. A solução para deitar abaixo a parede do desconhecimento é a divulgação, o que servirá em simultâneo para derrubar o muro de silêncio em que alguns tentam emparedar a nossa determinação.new-gplus-share-button

É necessário — nas “redes sociais” — partilhar, partilhar, partilhar. E, a seguir, partilhar as partilhas. E passar a palavra, boca-a-boca (uma das mais eficazes formas de propaganda) ou por qualquer dos imensos meios de comunicação de que toda a gente dispõe hoje em dia.

Quando saiu o artigo de lançamento da subscrição online, partilhei-o, claro está, no meu mural. Essa partilha foi partilhada… por outros dois amigos. Já na página da ILC no Facebook esse artigo foi partilhado 45 vezes. Não é mau, mas podia ter sido muito mais, face às 5.803 “facebookers” alcançados.

É certo que (sempre) dissemos “se já subscreveu a ILC em papel não subscreva novamente”. Mas isso não significa que o formulário electrónico não seja também para si, caro leitor e apoiante da ILC — para o usar só tem de o divulgar.

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Prepare-se, claro, para ouvir os argumentos do costume. O principal é o que diz que “andamos a brincar com as nossas crianças”. É curioso como esses “pais preocupados” não pareceram incomodar-se quando os mentores do AO decidiram de facto brincar com as nossas crianças e, já agora, com todos os adultos das últimas quatro gerações. É fácil perceber que, se os pais se preocuparem realmente com o futuro dos seus filhos, irão certamente preferir que lhes seja ensinada uma ortografia que o seja de facto, isenta de facultatividades e arbitrariedades, ao contrário daquilo que acordistas tentam impingir: a negação absoluta do próprio conceito de Ortografia.

O argumento do “agora já me habituei” é fácil de desmontar: se me roubarem um Mercedes e eu tiver de andar de Mini enquanto procuram os ladrões, não vou à polícia dizer que já não quero o Mercedes de volta porque entretanto me habituei ao Mini.

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1 comentário

  1. «Claro que não foi fácil explicar isto. Por diversas vezes nos vimos nesta espécie de beco sem saída: como dizer que não divulgamos o número porque é baixo… sem dizer que o número é baixo? Felizmente, a maioria compreendeu e sempre pudemos contar com a solidariedade e até a cumplicidade de subscritores e activistas da Iniciativa.»

    A maioria compreendeu, de facto, até porque o bom senso é uma característica comum das pessoas de boa-fé. Portanto, por exclusão de partes, a ínfima minoria que violentamente insistiu nessa “pergunta” fê-lo ou por má-fé ou por pura e simples estupidez. Como, pelo menos em teoria, quem se diz “contra o AO90” não iria insistir (violentamente, repito, com as mais reles insinuações à mistura) na tal “pergunta” por pura má-fé, então só resta a outra hipótese, a da mais simples estupidez.

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