Angola não ratificou o AO90 – «Uma posição soberana» [Amélia Mingas, RNA, 14.08.13]

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Linguista Amélia Mingas apoia a posição do Executivo em relação ao novo acordo ortográfico

14-08-2013

A Decana da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, Amélia Mingas apoia a posição do Executivo em relação a não ratificação ao novo acordo ortográfico, noticiou a RNA.

Antiga Directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, frisou que, o novo acordo ortográfico não tem razão de ser, em virtude de o mesmo não ter levado em consideração o contributo dos 8 estados membros da CPLP para o desenvolvimento da língua portuguesa.

O problema que se prende é que há um acordo que não tem razão de ser, porque quando se faz o acordo deve-se considerar a contribuição que, cada um dos estados que integra a CPLP trouxe para a Língua Portuguesa. Porque o que se nota são alterações tendo em conta o desenvolvimento da língua portuguesa no Brasil”.

Amélia Mingas sublinha que a posição do governo angolano é uma posição soberana – “o governo angolano é o único país que não ratificou e eu estou plenamente de acordo com isso, porque, a variação que a língua portuguesa sofreu no nosso país não está ali considerada”.

[Transcrição integral de notícia da RNA (Rádio Nacional de Angola). “Links” e destaques inseridos por nós. Imagem de Wikipedia.]

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18 comentários

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    • Jorge Teixeira on 15 Agosto, 2013 at 10:51
    • Responder

    Já que a Isabel dos Santos é quase dona de Portugal inteiro, podia mandar abolir o AO90. Ao menos sempre se tirava dessa situação alguma vantagem.

  1. Exma. Senhora Dra. Amélia Mingas,
    Apresento-lhe o meu mais sincero agradecimento e homenageio-a com o maior respeito pela corajosa e legal atitude tomada ao opor-se à ratificação do tão propalado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Angola como País Soberano mais uma vez afirmou que não alinha em manobras político-financeiras envolvendo a Cultura.
    Se me permite gostaria de utilizar este espaço para destacar nesta luta o papel desempenhado em Portugal pela Sra. Professora Dra. Maria do Carmo Vieira, pelo Dr. Graça Moura, pela A.P. de Autores e enfim por tantos anónimos que se tem manifestado das mais variadas formas contra esse assassinato da nossa língua comum.
    Subscrevo-me com a maior consideração,
    Francisco M.F.F. Oliveira
    (Cidadão Luso-Angolano)
    Parede(Conc.Cascais)-Portugal

    • Maria Miguel on 15 Agosto, 2013 at 17:52
    • Responder

    Excelente notícia! Votos de que a professora Amélia Mingas tenha dado um pontapé de saída para sairmos deste pesadelo, nome de baptismo “acordo” cujos padrinhos pretenderam espalhar a confusão, ainda mais. A palavra é tudo.

    Mas sendo Angola o único país que não ratificou o desacordo, quem não estiver um pouco dentro das ilegalidades, das inutilidades do dito e da fragmentação da Língua, pensará que se trata apenas de uma teimosia, por não ter estado presente na negociação, e não de uma atitude digna.

    Seria importante que todas as mentes lúcidas, e que sabem expor-se publicamente, não usassem mais expressões como: “acordo ortográfico” ou “antiga ortografia”.
    É como se eu escrevesse uma coisa e defendesse outra. É o tal baptismo, que não foi inocente.

    Francisco Oliveira, este é um oportuno momento para que os Luso-Angolanos, a viver em todos os cantos da Terra, divulguem e assinem a ILC. Porque o que está em causa é a Dignidade da Língua Portuguesa – Idioma-passaporte da nossa identidade. Passe este informação aos seus amigos e conhecidos. Obrigada.

    Gostaria de saber que estudos e critérios motivaram os restantes países da CPLP, que os levaram a dizer “sim”? Poderia ser tudo revelado em Tribunal?

    Aproveito para fazer o seguinte e patético registo:
    Sou contactada por um operador de uma das grandes operadoras de serviços, que pretende saber quais as minhas “espetativas” em relação a um pacote ao qual aderi há pouco tempo. Era uma dicção muito sonora, ou vaidosa, vinda de alguém que parecia ter descoberto as primeiras letras e que mostrava à turma que sabia ler e falar.

    “O sr. quer saber quais as minhas especctativas?” E lá fui repetido esta frase até que do outro lado, surgiu um sinónimo atrapalhado: “queria saber o que a sra pensa de…”

    “Assim já o entendo em Português. Então o sr. gostaria de saber o que eu penso de…” E ficámos por aqui, após termos agendado outro dia.

    Se a oralidade não iria sofrer alterações, bastariam estas lamentáveis sonoridades para o processo seguir direitinho para onde deveria ir, com ou sem assinaturas.

    Cumprimentos

    • Antonio Ferreira on 15 Agosto, 2013 at 23:03
    • Responder

    A posição é louvável,e traz água ao nosso moinho, mas não é inocente, nem definitiva. Conhecendo o apetite antigo que Luanda tem, de um dia vir a sentar o traseiro no Conselho de Segurança da ONU, e sabedores que somos da falta de escrúpulos do(s) governo(s) de Portugal, e sendo que o principal impulsionador dessa “candidatura” é a CPLP, igualmente o eixo maior desta treta do AO… É permitido,pensar que seja apenas uma jogada táctica dos angolanos, por forma a pressionar Portugal a mexer influencias e dar uma mãozinha para o CS da ONU… Serei velho do Restelo ou bruxo das ladeiras?

    • Maria José Abranches on 16 Agosto, 2013 at 15:00
    • Responder

    Perdidas as colónias, a velha ambição imperialista portuguesa procurou sobreviver através da língua, agora por todos partilhada.

    E, como sempre, o país, mais interessado em “parecer” do que em “ser”, apostou na facilidade dos meios e dos “sucessos” a curto prazo. Sem forças nem ideias para conceber uma verdadeira política de língua, cientificamente rigorosa, inteligente, solidária e respeitadora da diversidade que a sua expansão lhe trouxe, Portugal optou por cavalgar a energia do imperialismo linguístico brasileiro, aceitando assim sacrificar a língua dos portugueses, que é também a língua dos angolanos, moçambicanos e de todos os outros Estados e populações que, nos vários continentes, lhe dão vida, a perpetuam e a enriquecem.

    Sem esquecer que, também por aqui (e como!), passa a mão “uniformizadora”, niveladora, destruidora das diferenças da globalização neoliberal, com os seus inestimáveis e universais recursos tecnológicos…

  2. Antes do mais os meus agradecimentos muito sinceros a Maria Miguel. Assim farei, como já fiz inicialmente em 07.06.12. Entretanto posso ir ajudando utilizando este espaço. Quem quiser participar nesta luta terá apenas que fazer o seguinte:
    No “Google” buscar “I.L.C. Iniciativa Legislativa de Cidadão Contra o Acordo”. Aí encontrarão a minuta de uma carta que depois de preenchida deve ser enviada para “Apartado 53 – 2776-901 Carcavelos – Portugal”. Está lá tudo o que é preciso para acabarmos de vez com este crime contra aquilo que mais nos liga para além dos laços de sangue, história, tradições e respeito.
    Francisco Oliveira
    Parede (Conc.Cascais)

    • De Portugal on 23 Agosto, 2013 at 2:35
    • Responder

    Actualmente o único país a escrever oficialmente em PT é Angola. Os restantes escrevem em pt-BR, incluindo Portugal! (Mas não é bem pt-BR, é mais pt-BReceção).
    -Irmãos Angolanos: é necessário avisar a Google para mudarem o código ‘PT’, porque o ‘PT’ que estão a utilizar tem 60.000 palavras com erro. 80% dos Portugueses agradecem. Obrigado.

    • Maria Miguel on 23 Agosto, 2013 at 11:05
    • Responder

    Urge a realização de debates públicos a nível nacional sobre o assunto em questão.
    Através dos meus contactos, posso calcular que apenas uma mínima franja da população portuguesa, a que conhece o sítio da ilcao, terá uma ideia dos respectivos cenários.
    MM

  3. Caríssima Maria Miguel, nossa já veterana companheira de luta,

    Tem toda a razão, é claro, mas mais na segunda do que na primeira das premissas que refere.

    De facto, hoje em dia é fácil encher um auditório com um milhar de lugares (sentados), o que não sucedeu ao longo dos primeiros anos desta luta (2008 a 2011), em que muito dificilmente se conseguia compor minimamente uma sala com 100 lugares. A partir do momento em que VGM mandou retirar o “Lince” no CCB (Fevereiro de 2012) e em especial após o anúncio do adiamento do AO90 no Brasil (Dezembro de 2012), então sim, daí em diante começaram a surgir interessados de todos os lados e por conseguinte as iniciativas e eventos públicos multiplicaram-se.

    Porém: ao contrário do que dizem acordistas (e outros), esta questão não interessa a “10 milhões de portugueses”. Descontemos os menores de idade (c. 18%) e os analfabetos (totais e funcionais, c. 15%); depois a estes 33%, haverá que acrescentar todos aqueles a quem o assunto não aflige minimamente (isto é, a esmagadora maioria que, por exemplo, nunca lê um jornal – quanto mais um livro – ou, se o lê, nem nota diferença alguma entre Português e acordês ou, se a nota, isso não “afeta” nem preocupa); digamos, dois terços da população restante. Portanto, pelo menos 7,7 milhões de portugueses passam completamente ao lado da questão (ou vice-versa, esta não lhes interessa para nada e nem se apercebem sequer de que a questão existe). “Sobram” 2 300 000 pessoas. Ora, como sabemos, por experiência própria e por simples senso-comum, ainda assim e por múltiplos motivos apenas cerca de 10% destas pessoas (ou seja, por grosso, umas 230 000) se interessam verdadeiramente pelas questões culturais em geral, pela Língua Portuguesa em particular e/ou pelo AO90 em concreto. Os portugueses maiores de idade e no mínimo medianamente escolarizados, 90% de 23% de 10 milhões, por conseguinte, estão demasiadamente ocupados a tentar sobreviver à maior, mais prolongada e mais grave crise económica da História, pelo que não lhes resta nem tempo nem energia para uma questão que, ainda por cima, lhes é impingida como sendo “menor”, “irrelevante” e, pior ainda, “inevitável”.

    Como todas as sondagens de opinião existentes indicam – sistematicamente – uma proporção de 2 para 1, ou seja, 1/3 de apoiantes do “acordo” e 2/3 de opositores, concluiremos então, sem grande margem de erro, que estamos aqui a falar de algo como… cerca de 150 000 anti-acordistas convictos, não mais. Quantos destes (poucos, já de si) se dão ao “trabalho” de subscrever a ILC, bem, isso é matéria que já foi mais do que escalpelizada neste mesmo sítio virtual.

    Saudações anti-acordistas.

  4. Como poderei definir um país em que a comunicação social (imprensa, rádio, televisão) pública e privada despenda horas em artigos, análises, debates, comentários, sobre futebol ou as birras entre jogadores/clubes/agentes/tutores e não haja espaço para debates sobre a sua própria língua que é falada e escrita por milhões de pessoas nos 5 continentes?
    Saudações anti-acordistas (como escreve JPG)!
    Francisco Oliveira
    Parede (Cascais)
    PS. Para que conste: Gosto de futebol e sempre que tenho oportunidade vejo-o na TV.

    1. Caro Francisco Oliveira,

      A questão por si colocada é mais do que pertinente mas parece não ter resposta, pelos vistos. As pessoas (em geral) tendem a dizer algo como “ah, e tal, eu cá nunca hei-de usar o acordo” e pronto, ficam-se por isso mesmo e nada mais. Portanto, de certa forma é natural que os OCS façam outro tanto, ou seja, que “ah, e tal”, se alheiem completamente do problema. Pois se este, na opinião de muitos, se resume a usar ou não o “coiso” ortográfico, então que o não usem e pronto (de novo), estamos conversados.

      Saudações anti-acordistas (não me ocorre outra fórmula, peço desculpa).

      JPG

      P.S.: eu também gosto de futebol e idem, vejo-o na TV sempre que posso. Não vem daí nenhum mal ao mundo, ao menos que eu saiba.

    • Maria Miguel on 29 Agosto, 2013 at 19:55
    • Responder

    Agradeço-lhe, JPG, a informação detalhada, cujas estatísticas tornaram ainda mais claro o meu olhar sobre a fadária inércia lusitana.
    Mas hei-de, eternamente questionar-me, a rogo da minha Criança Interna, porque ela não aceita esta injustiça, por que razão não foram/são tidos em conta SÓ os pareceres das pessoas credenciadas, portuguesas e brasileiras, e as irregularidades da Lei para destronar um único parecer favorável e os falsos caixeiros viajantes da mercadoria, Pátria, que, neste momento, afirmam que a Língua Portuguesa está em grande expansão! Etc.
    Expansão? Será que o inglês em todo o lado, sem a respectiva tradução em Português é
    amplitude da nossa Língua?
    Até na Gulbenkian parece que esta língua latina já ocupa um 2º lugarinho.
    Na Internet então, nem se fala. Vem quase tudo via Brasil.
    Estamos a empobrecer /despersonalizar!… Esta a verdade.
    Para me completar, sempre que posso, leio o nosso irmão Francês. Que felicidade! As palavras ainda lá estão, interinhas como nós as aprendemos, apesar do novo léxico que vai entrando, a língua não se descaracteriza. Amplia-se. A fala altera-se, mas a escrita segura-a.
    Também seria uma felicidade se Portugal soubesse segurar o que nos pertence.
    Saudações
    JM

    • Jorge Teixeira on 30 Agosto, 2013 at 18:07
    • Responder

    Porque não foram tidos em conta os pareceres de pessoas credenciadas e se mergulha o país inteiro na mentira? Bem, o costume: para ganhar poder e uns trocos.

  5. Todos os acontecimentos dos últimos anos , levam-me a crer que se urdiu uma tentativa para destruir a nossa cultura , a nossa entidade e o nosso povo.
    Temos de acordar as nossas consciências , se não quisermos desaparecer.

  6. Verbo Contatar:
    Eu contato
    Tú contatas
    Ele contata
    Nós contatamos
    Vós contatastes
    Eles contataram

    -É preciso uma ILC?
    -Mas existe alguém no estado normal que defenda esta merda?

    • Francisco M. F. F. Oliveira on 8 Setembro, 2013 at 16:33
    • Responder

    Com a devida permissão do meu ilustre amigo e “Luandense” (pelo menos ali residente permanente desde 1950!) Aires Pinto Loureiro, transcrevo extractos da sua carta recentemente publicada pelo Semanário “Voz Portucalense”:
    Passo a citar:
    …””A nossa língua, construída ao longo de séculos está a ser “vandalizada”! Lá se foi “A minha Língua é a minha Pátria”. Resta-me a consolação de Angola dizer “não” ao tal acordo.””
    …””O……Dr.X….disse há dias que sentia vergonha que o nosso país estivesse a ser governado por estrangeiros – a “troika”. Enganou-se Doutor X: devia ter dito, ter vergonha de não haver em Portugal pessoas com capacidade para governar aquilo que temos.””
    O meu respeito e os meus cumprimentos a todos os “anti-acordistas”
    Francisco M. F. F. Oliveira
    (Concelho de Cascais)

    • Maria José Abranches on 11 Setembro, 2013 at 20:02
    • Responder

    Que país sem rosto é este? Que destino colectivo estamos a fabricar? TUDO é vendável, transaccionável, privatizável, manipulável?!

    Que povo somos nós, se o destino do Português – a língua que a nossa História forjou, que nos identifica, define e estrutura – nos é indiferente?!

    E que povo somos nós, se assistimos sem revolta à invasão do nosso país pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), aceitando passivamente que ele avance, soberbo, como inimigo em território conquistado?!

    E, perante esta situação, vamos, mais uma vez, participar em eleições em que os políticos ostensivamente continuam a ignorar este assunto, comportando-se como “donos” absolutos da língua de Portugal?!!! Alguém de entre os candidatos levantou publicamente a questão do AO90, mostrando ao menos prudência e consideração pelos cidadãos e pelo bem comum que devem respeitar? Leiam os folhetos da propaganda eleitoral para as autárquicas, visitem na Internet os sítios das diversas candidaturas: ainda não foram eleitos, mas “iluminados”, “progressistas”, “modernos” e “globais”, já [adutaram] o AO90!

    De que estamos à espera para, de uma vez por todas, expulsarmos os vendilhões que nos querem negociar a língua, falsificando-a e roubando no peso – umas consoantes etimológicas por aqui, mais uns acentos, hífenes e maiúsculas por ali – à boa maneira nacional (os clientes nem se apercebem e dá muito dinheiro!…)?

    «Com fúria e raiva acuso o demagogo
    E o seu capitalismo das palavras

    «Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
    Que de longe muito longe um povo a trouxe
    E nela pôs sua alma confiada (…)»

    (Sophia de Mello Breyner Andresen)

    Leram? Entenderam? Ou a Cultura só funciona no horário de expediente?

    Para concluir, recordemos as palavras cruas e realistas, afinal sempre actuais, de Jorge de Sena (in “A Portugal”):

    « (…)
    terra de escravos, cu pró ar ouvindo
    ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
    (…)
    terra de monumentos em que o povo
    assina a merda o seu anonimato; (…) »

    Pior ainda é ser-se uma terra em que a classe dominante – política, intelectual, cultural, universitária – “assina a merda” a própria língua!

    • Francisco M. F. F. Oliveira on 15 Outubro, 2013 at 17:39
    • Responder

    Atenção Amigos e Amigas! Não sei se haverá outro meio de vos comunicar, mas a Revista “CULTURA”, nº.41, Ed. de 14 a 27/10/13, pag. 6,7 e 8 publica uma extensa e interessantíssima (repito interessantíssima) entrevista com a Exma. Doutora Amélia Mingas.`Recomendo vivamente a sua leitura e aproveito este espaço para mais uma vez agradecer à Doutora Amélia Mingas tudo o que tem feito em defesa de Língua Portuguesa. Muito Obrigado.
    Cumprimentos do
    Francisco Oliveira
    (Concelho de Cascais)

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