Hermínia Castro subscreveu a ILC

Hermínia Castro é natural de Lisboa, com raízes no Minho, Algarve e Beira Interior. Cresceu na terra de Pedro Álvares Cabral. Estudou em Aveiro e depois em Londres. Podia morar em qualquer lugar do planeta, mas escolheu Portugal, entre outras razões, porque é onde se fala e escreve a língua mais bonita do mundo, na sua versão original. Aprendeu a ler aos 5 anos e nunca mais parou.

Começou por ser bióloga. Depois mudou (radicalmente) de profissão e agora é tradutora. Ou seja: começou por se dedicar à conservação da Natureza; agora, pelos vistos, passou a dedicar-se à conservação do português de Portugal. O seu maior desejo para 2012 é que as espécies invasoras [como se lê] “fâtura”, “projêto”, “espetador” possam ser eliminadas, para que as autóctones “factura”, projecto”, “espectador”, etc. possam novamente viver em paz e sossego.

[citação]
«Costumo dizer que tenho a melhor profissão que há, pois passo o dia a lidar com a minha língua materna, que adoro, e ainda me pagam para o fazer. Mas, recentemente, dei por mim a ponderar seriamente mudar uma vez mais de actividade. Porque, muito simplesmente, não estou a ver onde irei arranjar estômago para passar o dia a ler e escrever em “acordês”, um sucedâneo de língua em que não me reconheço e que mais não faz do que descaracterizar, desfigurar e distorcer o português de Portugal.

Subscrevi a ILC, com toda a convicção, porque acho imperativo e urgente repensar a implementação do Acordo Ortográfico de 1990 em Portugal.

O AO90 não é uma inevitabilidade, temos uma palavra a dizer e todas as assinaturas são importantes. Não deixe os outros decidirem por si! Assine também. Além disso, não deixe que lhe digam que tem de passar já a escrever segundo o AO90, isso não é verdade (pelo menos até 2015).

Choca-me profundamente a passividade com que vejo as pessoas assistirem à implementação do AO90, sem ao menos pensarem se concordam ou não com estas alterações nem acharem que têm uma palavra a dizer no que respeita à sua própria língua. Gostaria que, no mínimo, antes de o aceitarem, o analisassem por um bocadinho. Quando há bons motivos para mudar seja o que for, nem se hesita! Quando os motivos não passam de uma aldrabice pegada, nem pensar!!

Desejo ao Brasil as maiores felicidades e o maior sucesso. Acho que Portugal pode orgulhar-se, e bem, de ter dado o Brasil ao mundo. Só não vejo por que razão o actual crescimento económico (e consequente influência política) do Brasil há-de ditar que eu agora tenha de escrever como os brasileiros, se não falamos da mesma forma. Quando alguém conseguir apresentar-me um motivo realmente válido para esta mudança de ortografia (até hoje não vi um único!), poderei mudar a minha opinião sobre o “acordo”. Até lá… AO90? Claro que não!»
[/citação]

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritora, que nos enviou, expressamente para o efeito, a fotografia e a nota biográfica.

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6 comentários

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  1. A língua portuguesa também foi mutilada no Brasil e também não nos perguntaram se queríamos o tal acordo, que para mim é um desacordo!

    • Tomás Rosa Bueno on 5 Janeiro, 2012 at 22:25
    • Responder

    Mais uma pra engrossar a farândola do “sou português, por que hei-de escrever em brasileiro”. Haja paciência.

    Não foi por acaso que o AO90 foi aprovado com tanta facilidade. A ignorância sobre o que é a língua portuguesa é geral até entre os que, como a Hermínia, deviam ter da língua uma noção mais apurada.

    Se não, vejamos:

    1. O “brasileiro” não existe.
    2. Não há nada, no *português* do Brasil, que se assemelhe à mixórdia saída do AO90. Quem, em Portugal, se opõe ao acordo por não querer escrever em “brasileiro” é DUPLAMENTE IGNORANTE.

  2. Caro Tomás, conforme poderá constatar se se der à maçada de reler, em lado nenhum me refiro ao português do Brasil como “brasileiro”, nem tão pouco faço qualquer confusão entre o que é o “acordês” (a mixórdia, como tão bem lhe chama) e o português do Brasil em si. Fico, aliás, contentíssima em saber que gosta tão pouco do “acordês” quanto eu.

    O que se passa é que, do lado de cá, a dita mixórdia consegue ser ainda maior!! Tudo porque, para além das restantes “pérolas” de regras sem pés nem cabeça, hífenes e acentos retirados sem rei nem roque, temos, como sabe, a imposição da eliminação das consoantes “mudas”, que causa um impacto visual imediato e enorme, com a inevitável “justificação” de que é assim que se escreve no Brasil. Essa é a que me dói mais, pessoalmente (e julgo que a tantos outros portugueses), e era a isso que me referia em “escrever como os brasileiros”. Não consigo, de todo, alguma vez olhar para “ótimo” e identificá-lo de outra maneira que não seja com pronúncia brasileira. Não tenho absolutamente nada contra a pronúncia brasileira ou contra os brasileiros, que isso fique aqui bem claro! Muito simplesmente, irrita-me solenemente levar com argumentos tão absurdos como os fonéticos”, pois a pronúncia não é comparável nos nossos dois países, e ter de mudar a forma como escrevo por causa disso. São argumentos que não “colam” sequer, mas que são repetidos até à exaustão do lado de cá em defesa do AO90.

    Agradeço-lhe que tenha deixado aqui essa distinção, pois o debate quer-se o mais informado possível, e compreendo perfeitamente que pudesse ter interpretado mal as minhas palavras, pois a confusão entre o “acordês” e o português do Brasil existe de facto. Não partilho dela e espero ter esclarecido isso. Partilho inteiramente, isso sim, é da sua indignação relativamente ao AO90 e espero que tanto brasileiros como portugueses se livrem dele o mais depressa possível, pois nunca deveria ter avançado sequer. Foi uma ideia/idéia muitíssimo infeliz para a nossa língua.

    • Mário, odivelas on 6 Janeiro, 2012 at 8:38
    • Responder

    Ó Tomás (e afins), desculpa lá, mas deves possuir um saber ao “3”, por pensares que nós somos ignorantes ao “2”: Brasileirês, não existe: pois pois.

  3. @Luma

    Na verdade não passarás a escrever como um brasileiro pois, com a nova ortografia surgem palavras como “rutura, receção e espetador” que nem mesmo nós, brasileiros, usamos! Quanto às palavras que mencionaste em que se perderia o ‘c’, sinceramente não vejo razão para que tenham suas vogais fechadas, pois, no Brasil tais consoantes já não existem há meio século e essas vogais continuam abertas.

    @ Rosa Bueno

    Tens razão quando dizes que o “idioma brasileiro” não existe. Para além de minha língua materna falo apenas inglês. Como poderia eu entender o que se escreve aqui se a minha língua não fosse a mesma daqueles que escrevem nesse blogue?
    Se algum brasileiro depois de ler a biografia acima dizer que não a entende pela simples presença de duas ou três palavras com ‘c’ não articulado deve, sem falta, ser levado ao hospital ou é analfabeto. Não há SIPLESMENTE NADA lá que qualquer falante de português não entenda.
    Apenas não me digam que entendem o espanhol também e não o falam! O falante de português que conclui que é fluente em espanhol só por ser lusófono não passa de um ignorante. Seja brasileiro ou português. Não há como ignorar as grandes diferenças relativas aos heterosemânticos, heterogenéricos pronomes pessoais, verbos e etc. entre as duas línguas. É óbvio que o lusófono que queira aprender espanhol terá mais facilidade do que ao contrário. Qualquer linguista concorda com isso. A língua portuguesa é mais complexa em vários aspectos se comparada ao espanhol.
    Qualquer português ou brasileiro que quiser falar que não concorda nem aceita o AO90 deve fazê-lo! No entanto fingirem que falam idiomas diferentes é de uma idiotice imensurável!
    Eu não concordo nem aceito a dita nova ortografia!

    Cumpts e votos de sucesso a ILC!

  4. Por favor recomendo a leitura do texto de Miguel Esteves Cardoso, algures nesta página.
    O ‘Português Filosófico’, ou Português de nível avançado fica, pelo menos para mim, incompreensível.

    Muito Grave.
    Obrigado.

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