Audição de Isabel Pires de Lima [GT AO90, 06.06.13]

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3 comentários

    • Jorge Teixeira on 9 Junho, 2013 at 23:42
    • Responder

    Saúdo o desassombro com que recomenda que se desista do AO90. Lamento que o não tenha conseguido quando era Ministra.
    É de lamentar também o triste espectáculo oferecido pelos deputados que tentam defender o indefensável.

  1. De facto, as perguntas feitas, em especial pela deputada Canavilhas, procuram defender o acordo atacando quem presta o seu contributo ao grupo de trabalho. Cada cabeça sua sentença, dizia, como que dizendo você pode apresentar bons argumentos, mas a decisão está mais que tomada. Agradecemos o seu contributo, mas agora podemos fingir que ouvimos todas as partes.

    A Doutora Isabel Pires de Lima bem apontou a principal falha do acordo, a fragmentação do que era uno (descontando o Brasil que sempre desrespeita os acordos). Temos um Português no Brasil, temos outro, que era nosso em África e Timor e por cá temos pelo menos meia-dúzia, entre o oficial e as várias interpretações das facultatividades.

    Que grande passo para a Nação!

    • Maria José Abranches on 19 Junho, 2013 at 17:32
    • Responder

    Clara e convicta argumentação, vinda de uma especialista de estudos literários e culturais, conhecedora do valor da língua portuguesa, “matéria-prima” da literatura. E com responsabilidades políticas, visto que foi Ministra da Cultura no início do 1.º governo de José Sócrates (de 12 de Março de 2005 a 29 de Janeiro de 2008) e deputada pelo PS.

    Vale a pena ouvir, mas desde já destaco alguns aspectos essenciais desta intervenção:

    – Recordou a sua discordância em relação à ratificação do II Protocolo Modificativo, sem discussão prévia, e a sua posição a favor de uma moratória de dez anos, com vista à revisão do AO90, tendo ainda salientado que entre 1990 e 2008 não foi conseguido o vocabulário comum, particularmente no que se refere às terminologias científicas e técnicas.

    – Não é com acordos ortográficos (baseados no “logro” da facilitação fonética da ortografia) nem por decreto que se faz a internacionalização da língua, mas sim pelos conteúdos que ela for capaz de veicular. Com este acordo, o mercado do livro tornar-se-ia mais fácil para a indústria editorial brasileira, tornando mais difícil a circulação dos conteúdos culturais portugueses.

    – O AO90, cientificamente muito deficiente e, por isso, de aplicação impossível, elaborado há mais de 20 anos, tendo apenas em conta Portugal e o Brasil, revelou-se um factor de desagregação: rompeu-se a coesão que havia entre Portugal e os outros seis países de língua oficial portuguesa e não se unificou nada, antes se aumentaram as permissividades e as facultatividades, inclusivamente no interior do mesmo território linguístico! É a negação do próprio conceito de ortografia! No espaço intercontinental da língua portuguesa escrita, há neste momento três normas, com Portugal a avançar na deriva ortográfica. “O futuro veio a confirmar os piores receios”!

    – Impõe-se, portanto, um “gesto patriótico”: é preciso repensar, travar este processo, salvaguardar o bem cultural chamado língua portuguesa!

    Parece-me assim evidente que há no PS duas correntes relativamente ao AO90, esta que aqui se exprime e a que está representada no Grupo de Trabalho pela Sr. Deputada Gabriela Canavilhas, aliás na linha do Ministro da Cultura a quem sucedeu, José António Pinto Ribeiro.

    Quanto ao Sr. Deputado Luís Fazenda, pela sua displicente e rápida intervenção,
    pareceu-me adepto da obsolescência ortográfica programada…
    Cito de memória:
    “Creio que há um consenso muito alargado quanto à necessidade de revisão de vários aspectos do AO. Eventualmente, porque isto tem um tempo de uma semi-eternidade, será uma tarefa para a próxima geração. Mas lá iremos…”

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