Perdão?

Na avaliação do embaixador de Portugal em Brasília, Francisco Seixas da Costa, a decisão agora tomada pelo Parlamento português tem uma dimensão estratégica da maior importância.

Ter o Português com uma grafia quase comum às duas normas actuais vai facilitar imenso a consagração da língua no plano internacional“, afirmou o diplomata à agência Lusa.

Declarações de Seixas da Costa em “despacho” da agência “Lusa”, 17 de Maio de 2008

fotoseixas

Não vale a pena pensar que temos possibilidade de crescer nas instituições europeias. Enquanto língua de trabalho, o Português vai lentamente desaparecer“, disse ontem na Academia das Ciências de Lisboa o embaixador Francisco Seixas da Costa (…)

Declarações de Seixas da Costa em notícia do jornal “Público”, 1 de Fevereiro de 2013.

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13 comentários

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  1. Tão grande a fèzada e não deu nem terminação. Ou melhor, deu: deu com o português num torpor terminal.
    Cumpts.

  2. Se o que se pretendia sublinhar, com o post, era uma suposta contradição, lamento muito mas ela não existe.
    É um facto que a progressiva utilização do inglês (e, em menor escala, do francês e do alemão) como língua preferencial de trabalho nas instituições da UE está a condenar todas as restantes línguas oficiais a um estatuto menor em matéria de interpretação (embora não em matéria de tradução). O argumento dos custos de interpretação é cada vez mais esgrimido e, um dia, é muito provável que a possibilidade de utilizar todas as línguas oficiais só sobreviva nas reuniões ministeriais. Gostaria de estar enganado, mas não creio que o esteja.
    Esta questão nada tem a ver com a aproximação entre as normas do português que o Acordo Ortográfico promove. Continuo a considerar que tudo quanto reduza as diferenças ortográficas entre tais normas é um fator favorável à consagração institucional da língua portuguesa à escala global, nomeadamente nas instâncias multilaterais. Contudo, e contrariamente aos opositores do Acordo Ortográfico, não utilizo quais insultos, não recorro a adjetivações ou a quaisquer tipo de acusações ao afirmar isto. Limito-me a dar a minha opinião. Com serenidade.

    • Maria José Abranches on 3 Fevereiro, 2013 at 13:06
    • Responder

    O retrato acabado da “inepta, ignorante e preguiçosa” política de língua levada a cabo em Portugal nas últimas décadas! Perante tanta estupidez, indignidade e subserviência, só me ocorre citar esta fala de Manuel de Sousa (“Frei Luís de Sousa”):

    « – Luís de Moura é um vilão ruim: faz como quem é. O arcebispo é … o que os outros querem que ele seja. Mas o conde de Sabugal, o conde de Santa Cruz, que deviam olhar por quem são, e que tomaram este encargo odioso … e vil, de oprimir os seus naturais em nome dum rei estrangeiro!… Oh, que gente, que fidalgos portugueses! Hei-de-lhes dar uma lição, a eles e a este escravo deste povo que os sofre, como não levam tiranos há muito tempo nesta terra.»

    Que todos aqueles que, “mutatis mutandis”, ainda hoje e na actual situação vibram com estas palavras, unam os seus esforços e as suas vozes, para que juntos nos libertemos de vez desta afronta intolerável!

    “Odeio os indiferentes. (…) Um homem não pode viver verdadeiramente sem ser um cidadão e sem resistir. A indiferença é a abulia , o parasitismo, e a cobardia, não é a vida. É por isso que odeio os indiferentes.» (Antonio Gramsci, traduzido em francês, “Pourquoi je hais l’indifférence”)

  3. Tudo quanto reduza as diferenças ortográficas, sr. embaixador? As diferenças aumentaram.
    Passe…

    • Manuela on 3 Fevereiro, 2013 at 15:57
    • Responder

    Portugal está a jogar dinheiro fora com embaixadores no Brasil. Nunca fizeram nada para divulgar Portugal.
    Como dizem aqui é vira-casaca.

    • Jorge Teixeira on 3 Fevereiro, 2013 at 16:11
    • Responder

    @Francisco Seixas da Costa é um ponto de vista curioso, uma vez que as diferenças entre as ortografias Brasileira e Portuguesa aumentam, e de forma pronunciada, com o AO90.

    PS: É interessante também os argumento do Português como língua de trabalho, uma vez que esse é um argumento ao qual ninguém com dois dedos de testa pode dar valor. Os portugueses não têm qualquer interesse em ter o Português como língua de trabalho das nações unidas (onde teriam de pagar os respectivos custos), nem sequer da União Europeia. É algo que não tem em si qualquer valor, nem do ponto de vista político, nem de influência, nem económico, nem nada.
    Por outro lado, as diferenças ortográficas também não contribuem em nada para influenciar a adopção do Português como língua de trabalho onde quer que seja. Nas nações unidas o Inglês é língua de trabalho com a ortografia Britânica apesar do poder político e influência do mundo de expressão inglesa serem os E.U.A. E na União Europeia nem sequer se põe a questão ortográfica, uma vez que o único país da União que se exprime em Português é Portugal, por isso a questão nem existe. Na União Europeia o Português será sempre aquele que se praticar em Portugal.
    Por favor, poupem-nos a esta demagogia bacoca que quer fazer de todos nós estúpidos.

  4. « E na União Europeia nem sequer se põe a questão ortográfica, uma vez que o único país da União que se exprime em Português é Portugal, por isso a questão nem existe. Na União Europeia o Português será sempre aquele que se praticar em Portugal.»
    Nem na União Europeia nem em instâncias nenhumas internacionais salvo a C.P.L.P. E nesta só se põe pelo Brasil, nunca pelos demais. A questão ortográfica é um problema brasileiro, de mais ninguém.
    Cumpts.

    • Hugo X. Paiva on 3 Fevereiro, 2013 at 18:57
    • Responder

    Quem acredita que existe uma possiblidade remota de o Brasil vir a ter um lugar permanente no conselho de segurança das Nações Unidas, não tem 5% da miníma noção de geoestratégia. Quanto ao português vir um dia a ser língua oficial na ONU,terá que esperar: India,Bangladesh e Turquia também querem. Dentro das seis já existentes, cinco queixam-se que a papelada sai toda em inglês,e no caso castelhano dizem eles que se sentem discriminados.Eu disse língua oficial,porque língua de trabalho, só se for para ser usada no intervalo das sessões.O Brasil para elevar o seu “status” internacional deveria começar por resolver questões internas,que, por decoro, não vou aqui falar;eles que vejam em que matérias nefastas, estão em primeiro no mundo.

    • Hugo X. Paiva on 3 Fevereiro, 2013 at 19:38
    • Responder

    , não utilizo quais insultos,(sic)

    Sr. Embaixador, Francisco Seixas da Costa: Insulto é o que se está a fazer à Língua portuguesa, e a todos os povos que a observam e respeitam.

    “Ter o Português com uma grafia quase comum às duas normas actuais vai facilitar imenso a consagração da língua no plano internacional“, afirmou o diplomata à agência Lusa. (sic)

    Sr.Embaixador: Vai para quinhentos e tal anos, que a língua portuguesa anda no plano planetario. Ao longo do século passado assistimos a concuminancia delinquente por parte do Brasil na adulteração do português à revelia dos sucessivos tratados.
    V. Exca. saberá melhor do que ninguém, que é impossivel que a língua, hoje falada no Brasil, venha algum dia a ser confundida com o português.A degeneração que a nossa língua tem sofrido desde 1945 para cá, é de tal forma que já é necessário um dicionário de Portguês/”Brasilês” para que se entenda o que por lá se escreve. V. Exca. como embaixador naquela terra, deve saber muito bem do que é que eu estou a falar. Por isso sería bom que nos dissesse quais as verdadeiras razões que assistem a esta calamidade a que temos vindo a assistir.Dedique algum do seu tempo a lêr o que se tem vindo a escrever, acerca da matéria, aqui nesta casa, para que não lhe reste dúvida de que as pessoas que cá estão, sabem com fundamento técnico, cientifico e artistico,que a patranha do “AO” e uma coisa má, a requerer terapía urgente e definitiva. Recomendo chumbo!
    E acho que já chega de tretas.

    • Jorge F. on 4 Fevereiro, 2013 at 2:31
    • Responder

    O que é a consagração da língua portuguesa no plano internacional?
    O que é que é que isso quer dizer concretamente?
    Em nome desta sacrossanta e pomposa ideia justifica-se impor a uma pais e a um povo um acordo ortográfico que ninguém pediu e que é em si mesmo uma perfeita aberração?
    Continuo a não perceber esta espécie de evidência natural, que é a da relação directa entre a “afirmação da língua portuguesa no mundo” (seja lá o que isso for) e o crescimento económico e projecção política do país (é que então países como a Hungria, ou a República Checa, entre tantos outros, estariam condenados ao isolamento pelo facto de falarem uma língua confinada ao seu espaço territorial).
    Enfim… ideias superficiais, não escrutinadas, repetidas até à exaustão pelos media.
    Quem as contesta ou aprofunda, lá está, ou é um velho do restelo, ou estará a insultar alguém.

    Resistir a este AO90 é um imperativo moral

  5. Como eu o entendo Sr. Embaixador. Parafraseando ‘Dupond e Dupont’, eu diria mais: “Ter o Cozido à Portuguesa com ingredientes iguais aos da Feijoada à Brasileira vai facilitar imenso a consagração da nossa gastronomia comum no plano internacional”. Pois é, Embaixador, por este andar nem para colar selos nas estações de correios a língua servirá…

    • Manuela on 4 Fevereiro, 2013 at 22:21
    • Responder

    Isso, José.

    • Elmiro Ferreira on 6 Fevereiro, 2013 at 0:39
    • Responder

    “Enquanto língua de trabalho, o Português vai lentamente desaparecer“… E vai passar a ser o quê, o Português? língua de vadiagem?

  1. […] na ONU, já agora, têm ‘todas’ entre 5 e 20 variantes ‘ortográficas’, não uma); em Fevereiro passado, o embaixador Seixas da Costa admitia que o português estava em risco de desap…; em 2011, Portugal perdeu a batalha do registo de patentes em português; em 2012, só muito a […]

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