«Pen Internacional condena aplicação do Acordo Ortográfico» [“Público”, 18.09.12]

A organização literária PEN Internacional condenou por unanimidade o Acordo Ortográfico (AO), dizendo em comunicado que a estandardização da língua portuguesa é uma proposta de natureza administrativa e comercial. Tentar centrar uma língua nestas prioridades “é enfraquecê-la”, defendem.

Numa nota assinada por Teresa Salema, presidente do PEN Clube Português, e Maria do Sameiro Barroso, vice-presidente, que levaram o tema ao 78.° Congresso do PEN Internacional, que reuniu até sábado na Coreia do Sul delegações do PEN de 87 países, as dirigentes escrevem que “todos sentiram o carácter nocivo e desestabilizador de uma medida que fere os princípios pedagógicos da democracia, nomeadamente a intenção de contribuir para um aprofundado contacto de amplas camadas das populações com a diversidade linguística e a herança cultural”.

O tema já tinha sido levado à comunidade internacional em Junho deste ano quando o PEN Clube Português se mostrou preocupado com a discórdia em torno do AO. Na altura a organização lamentou a medida e sublinhou a falta de opções para os escritores que são contra a sua aplicação, argumentando que estes ou se submetem à nova ortografia, mesmo que vá contra os seus ideais, ou correm o risco de não verem as suas obras publicadas.

Esta situação foi vista com grande preocupação pelo PEN Internacional, que alertou para o perigo de se perderem características históricas da língua. “Tanto quanto podemos ver, não há nada na iniciativa portuguesa que faça mais do que limitar a força natural da língua, tentando limitar a sua criatividade através de um colete-de-forças de regras burocráticas”, nota a organização internacional no mesmo comunicado, lembrando os exemplos da língua espanhola e inglesa. “São precisamente as diferenças locais, nacionais e hemisféricas dentro da língua espanhola que lhe conferem uma força crescente.” Também no caso da língua inglesa, a organização defende que é a sua abertura face às diferenças que lhe dá força. “É a natureza competitiva, independente e divergente das regiões inglesas que se tornou na marca distintiva da sua força.”

[Transcrição integral de notícia do jornal “Público” de 18.09.12, da autoria de Cláudia Carvalho. Link disponível apenas para assinantes do jornal.]

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2 comentários

    • Maria Miguel on 20 Setembro, 2012 at 22:51
    • Responder

    Mais um Bom Trabalho, no Público, da autoria de Cláudia Carvalho!
    O Português continua a ser acarinhado! E vencerá!

    Temos também o Diário Económico, o Correio da Manhã e haverá mais publicações, talvez de menor visibilidade, mas valiosíssimas, que continuam e continuarão de vigília. Aliás, cada palavra que se seja escrita, completamente, é valiosíssima!

    E Tomemos nota: Temos também um Manual de Português, da Editora Raiz, (que pertencerá ao grupo Porto Editora?), adoptado em escolas, que fez a sua 10ª reimpressão em 2012. Eis o título: Língua Portuguesa – Plural – 9º Ano.

    E, o regulamento do Sporting, entregue há dias aos atletas, está escrito em Português.
    São boas notícias. São perólas de Resistência!
    cumprimentos.

    • Jorge Teixeira on 23 Setembro, 2012 at 23:37
    • Responder

    A Editora Raiz julgo que é a antiga Lisboa Editora. De facto pertence ao Grupo Porto Editora. Apraz-me saber da re-edição de um manual escolar livre do AO90, até porque o Grupo Porto Editora está completamente vendido ao acordismo!

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