Desacordo ortográfico – o caso alemão

Nova Cultura«Sinceramente ainda não sei se adoto ou não adopto o acordo ortográfico. Apesar de ter frequentado a escola primária em língua portuguesa, ainda sinto-me estrangeiro nesta língua, que para mim, ainda por cima se divide entre a grafia brasileira (que aprendi nos anos 70) e a portuguesa que tentei adoptar. Já assim cometo muitos erros e tenho certeza de que o “acordo” não melhorará nada nesta minha situação pessoal.

Do meu ponto de vista alemão posso dizer que a reforma ortográfica que tivemos, no decorrer dos anos 90 e dos primeiros deste século, levou a uma confusão total em que cada um escreve como quer – e quase todos de uma ou outra forma, “errado”. Um problema que atinge a nós profissionais da escrita de uma maneira muito especial. Um escritor ainda pode escrever como quer, mas já os tradutores, revisores, redactores não…»

«A ideia da reforma ortográfica (desta, porque houve várias outras) data de 1980 e ganhou dinâmica depois da unificação, em 1990. O acordo foi elaborado entre Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, Bélgica e, se não me engano, Itália, em 1996. Houve debates violentos (aliás um dos contributos mais inteligentes sobre o tema foi o livro de um brasileiro radicado em Munique, chamado Zé do Rock, como o título “fom winde ferfeelt”) e várias fases de adaptação.

O acordo entrou em vigor em 2006 e é válido para as escolas públicas desde 2007. A maioria dos jornais elaborou uma grafia própria, adoptando elementos da nova ortografia. Apenas um dos jornais importantes da Alemanha continua escrevendo na ortografia antiga. Engraçado é que mesmo depois do acordo, as grafias oficiais continuam diferentes. Por exemplo a Suíça nunca utilizou a letra ß (substituindo-a por dois s) …»

Michael Kegler, Alemanha

[Extractos de correspondência enviada pelo webmaster do site bilingue Nova Cultura. Citação autorizada pelo autor.]

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1 comentário

  1. Lá nisto os ingleses são muito práticos.
    Cumpts.

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