Assino por baixo [email]

—– Original Message —–
From: Mariana Sousa Moreira
To: ilcao_assinaturas@cedilha.net
Sent: Monday, February 07, 2011 12:33 PM
Subject: Assinatura

Exmos. Senhores

Como tradutora e firmemente contra o acordo ortográfico junto envio a minha assinatura. Sobretudo agora que, sendo tradutora portuguesa e para português de Portugal, estou a viver no Brasil ainda mais estou consciente das diferenças inultrapassáveis que acordo algum resolverá.

Com os melhores cumprimentos

Mariana Sousa Moreira

ProZ.com Certified PRO
Member of the American Translators Association
***************************, Morumbi
05679-160 São Paulo Brasil

[Esta mensagem de email foi publicada com autorização da remetente, a quem agradecemos.]

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24 comentários

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    • Prof. Machado on 8 Fevereiro, 2011 at 12:58
    • Responder

    É para corrigir imbecilidades desse teor que novo acordo já tornou-se lei tanto no Brasil quanto em Portugal. Agora a nobre tradutora parará de colocar/tirar um letra muda aqui outra acolá e acreditar que está fazendo uma tradução. Em pensar que existiam retardados que pagavam alguém para traduzir do “pt-Br” para o “Pt-eu” ao mesmo tempo que assistiam/escutavam TV/rádio de Portugal ou Brasil. (alguém já pensou em usar uma coisa chamada dicionário?)

    Valha-me Deus!

    (P.S:Quem sabe começo a traduzir do português do Norte de Portugal para a região de Lisboa?Ou do Sul do Brasil para o Norte? Hein)

    • Victor Costa on 8 Fevereiro, 2011 at 14:19
    • Responder

    Eu estou inteiramente acerca de não querer o acordo ortográfico devido a que a nossa língua mãe é muito + rica, em relação aos brasileiros, que na qualidade de estado novo, tem que estudar para evoluir como alguns de nós.

  1. Victor, respeito tua opinião, mas se parares para pensar a respeito da “incultura brasileira” verás que de acordo com o World Ranking of Universities (em http://www.webometrics.info/); as duas universidades lusófonas com o melhor desempenho são a Universidade de São Paulo (posição 114) e a Universidade de Campinas (posição 197) tudo bem que ficar atrás de mínimo 113 instituições não é algo tão bom assim. Na mesma avaliação a primeira universidade Portuguesa é a Universidade Técnica de Lisboa (posição 300) e a segunda é Universidade de Coimbra (posição 375). Outro fato que te convido a analisar é o Prêmio Camoês de língua Portuguesa que em suas 23 edições premiou, curiosamente, 9 brasileiros e 9 portugueses.
    Conclusão, se o Brasil tem, em relação a Portugal em avaliações internacionais, as melhores universidades lusófonas, e em prêmios como o citado acima o mesmo número de premiações, o que devemos concluir?
    Abraço a lusofonia!

  2. E como os brasileiros são mais ficam com o Português. E eu com o sotaque, caso me não cale.
    Viva a língua a metro. Ou melhor a linguiça.
    Cumpts.

    1. Caro “Bic”,

      O argumento do número de falantes é de facto o mais extraordinário de todas as “sustentações” do AO90. Esta gente não sabe nem sonha, como dizia Gedeão, que do alto do seu pretenso “espírito progressista” escorre a mesma lama em que chafurdaram desgraçadas “minorias”, nos campos de extermínio hitlerianos ou nos de reeducação estalinistas. Não fazem a mais pequena ideia, pelos vistos, estes alucinados “modernistas”, que da sua soberba escorre também – metaforicamente, é claro, pelo menos até ver – o sangue de todas as vítimas das teorias de supremacia racial e da “superioridade moral” que tantas “maiorias esmagadoras” apregoaram até hoje.

      Não sabem eles, em suma, com a sua lógica algébrica, que não passam de nazis, apologistas do extermínio sistemático de todos aqueles que, na visão distorcida que define os alucinados e a alucinação, não se encaixam numa sociedade arianizada, uniforme e uniformizada, já sem qualquer vestígio de diferença (aquilo a que chamam “anormalidade”).

      Não sabem, e releve-se a analogia quiçá exagerada, que nada mais pretendem com este “acordo” do que a liquidação sumária da minoria que desprezam. Não sabem que são defensores acérrimos do indefensável, ou seja, de uma nova versão de Endlösung linguístico.

      Pois. Não sabem eles mas sabemos nós.

    • Emanuel on 9 Fevereiro, 2011 at 18:30
    • Responder

    Caros amigos falantes das diversas variantes da língua portuguesa, não chegaremos a lugar algum, nem melhoraremos o nível através de ofensas a ambas as partes.

    A verdade é que no Brasil se diz a toda a hora que não entendem os portugueses, e passam entrevistas com o Prémio Nobel Saramago legendadas (em brasiliano) na Globo (ver Youtube).
    E em Portugal não soa bem aos portugueses ouvir, ou ler: “já tornou-se lei”, como escreve o Prof. Machado, pois o hábito é “já se tornou lei”, e não importa aquilo que está certo, mas sim o que o hábito consagrou ao longo do tempo.

    Na construção de frases em ambos os países escrevem-se os mesmos vocábulos com significados diferentes:
    No Brasil lava-se vasilha na pia, em Portugal lava-se louça no lava-louças! Em Portugal a pia usa-se para a descarga de dejectos.
    No Brasil botam-se abajures no criado mudo, em Portugal colocam-se candeeiros na mesa de cabeceira.
    No Brasil bota-se gordura no fogo, em Portugal coloca-se óleo ao lume (cozinha).
    No Brasil saca-se dinheiro no caixa automático, em Portugal levanta-se dinheiro no Multibanco.
    No Brasil existem profissões como atendente, frentista, vitrinista, e em Portugal como balconista, gasolineiro, decorador de montras.
    No Brasil os carros têm estepe, câmbio, marchas, freios, e em Portugal, pneu sobressalente, mudanças, velocidades e travões.
    No Brasil os bandidos frenquentemente “rendem” clientes de lojas durante assaltos usando “fuzis”, em Portugal (e ainda bem) raramente “sequestram” clientes em lojas durante os assaltos, e sem usar “metralhadoras” .
    São poucos os exemplos aqui mencionados, mas poderiam ser milhares, mas são suficientes para se perceber que de um e do outro lado do Atlântico a forma de falar e de escrever dos outros soa bem estranha a cada um. O que é igual é apenas o nome da língua, e pouco importa que seja devido aos braços-de-ferro/cabo-de-guerra entre Portugal e o Brasil, e o não cumprimento dos acordos propostos anteriormente, o facto de nos econtrarmos na actual situação, a verdade é que, lamentavelmente, chegámos a um ponto de não-retorno, então a unificação torna-se extremamente difícil (para não dizer impossível).

    Não se trata apenas de eliminar consoantes mudas ou mantê-las, ou acabar com os tremas, é toda uma estrutura de sintaxe, de gramática e vocabular que não se coaduna em ambos os países simultaneamente.
    Então, dizer-se que se está a fazer uma unificação não é usar de sinceridade, mas sim a usar-se de um oportunismo para promover ideias convenientes apenas aos interesses de determinados lobbies, mas não do interesse geral da população.

    O melhor, mesmo, é seguirmos com critérios distintos, em Portugal e no Brasil, em vez de colocarmos tudo no mesmo saco.
    Emanuel
    tradutor português a viver no Brasil

  3. Caro Emanuel,

    Obrigado pelo seu contributo, em diversos aspectos.

    Aqui ficam os links para os (extraordinários) vídeos que refere, com a entrevista LEGENDADA de Saramago à TV Globo.

    http://www.youtube.com/watch?v=KukaoWu00Uw

    http://www.youtube.com/watch?v=4XDmsXWlDqE&feature=related

    • Emanuel on 9 Fevereiro, 2011 at 22:10
    • Responder

    Caros amigos, para quem não vive no Brasil, como eu, talvez não seja fácil aperceber-se de como, nós portugueses, somos ridicularizados pela forma de falar e de escrever, simplesmente como se falássemos e pronunciássemos o idioma mais estranho e incompreensível ao cimo da terra. Já me perguntaram se eu era chileno, argentino, ou simplesmente “de que país é?”
    O meu português é o da região alfacinha (lisboeta para os brasileiros).
    Falo pausadamente para dar tempo a que me entendam e, mesmo assim, muitas vezes sou interpelado para repetir o que acabei de dizer.

    O brasileiro considera-se dono da língua portuguesa, há quem chegue ao cúmulo de me perguntar “Porque vocês (portugueses) usam essa palavra?”, quando uso um termo corriqueiro para nós, portugueses, mas fora do âmbito comum no Brasil. Ao que eu me vejo ‘obrigado’ a justificar, dizendo simplesmente: “Porque nós falamos português!”

    Aqui, no Brasil, existem opiniões que chegam mesmo a propor a separação das duas variantes da língua portuguesa, renomeando a variante brasileira com a designação de ‘brasiliano’. Poder-se-ão consultar vários comentários e opiniões em:

    http://brasiliano.wordpress.com/

    Agradeço ainda a JPG por ter apresentado os links, de que eu me esqueci, sobre a ‘vergonhosa” justificação da jornalista sobre a legendagem na reportagem com José Saramago.

    • Prof. Machado on 9 Fevereiro, 2011 at 23:39
    • Responder

    Nunca entendi porque vários portugueses se desfazem do Brasil e sua maneira particular de falar a língua e, ao mesmo tempo,milhares de outros, como tu, optam por morar e/ou trabalhar aqui*. É muito simples, Emanuel, se te sentes desprezado, embora não acredito no que afirmas em teu comentário acima, faça o caminho de volta. Penso que se eu fosse viver em Portugal e me sentisse da mesma forma como te sentes, eu regressaria ao Brasil. Sem demagogia, mas, essa não seria a melhor coisa a se fazer? De nada me adiantaria ficar a viver e a trabalhar lá e a criticar o fato de eu falar várias palavras e os portugueses me interpelarem perguntando de que se trata.
    *Que conste que atualmente 700.000 portugueses vivem no Brasil (http://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_portuguesa_no_Brasil ) e, segundo a embaixada Portuguesa 130.000 brasileiros moram em Portugal ( http://embaixada-portugal-brasil.blogspot.com/2007/06/130-mil-brasileiros-vivem-em-portugal.html ).
    É preciso dizer mais?
    Cumprimentos…

    • Prof. Machado on 9 Fevereiro, 2011 at 23:59
    • Responder

    NOTA: Legendar o vídeo não é algo “vergonhoso” e sim algo “desnecessário”. Vergonhosa é a atitude de um país em censurar livros de uma pessoa culta por excelência, ainda que ao mesmo tempo professasse viver em uma democracia com liberdade de expressão. Parabéns a emissora brasileira por procurar uma pessoa com tamanha importância e nos oferecer a oportunidade de ouvir suas ideias. Nesse caso ganhou a Espanha por tê-lo mais perto de si.
    Cumprimentos!

    • Emanuel on 10 Fevereiro, 2011 at 1:13
    • Responder

    Verdade Prof. Machado, estou de acordo e agradecido, “vergonhoso” foi uma expressão demasiado forte usada por mim, mas não para a legendagem, e sim para o comentário jornalístico, como eu disse: “[…]sobre a ‘vergonhosa” justificação da jornalista[…]”, digamos que o termo apropriado talvez fosse “lamentável”!

    Vergonhosa, sim, concordo, foi a atitude do Governo português da época em censurar um escritor por ter ideologias diferentes daquelas de quem governa o país. Isso é prepotência, e a prepotência é uma atitude perigosa demais para a democracia. Como prepotência é, não se sabe quem (estudiosos eruditos! Governos! Empresas!) forçar portugueses e brasileiros (e outros) a aceitar um acordo que não é desejado, nem necessário, pois não traz benefícios, às populações em geral, que justifiquem tamanhas alterações a nível editorial, escolar e a outros níveis.

    Se houvesse verdadeiro intercâmbio cultural tudo isto seria desnecessário. Se os povos não vivessem de costas voltadas uns para os outros tudo seria mais fácil. Se não houvesse má vontade em relação a acordos anteriores tudo seria diferente.
    Quantos programas televisivos portugueses, passam nas estações brasileiras? Quantas músicas portuguesas passam nas rádios brasileiras? Quantos livros ou revistas de edição portuguesa são vendidos em lojas brasileiras? Será por falta de qualidade?
    E o contrário? Parece que tudo o que é brasileiro invade os mercados portugueses.
    Esse é um dos motivos pelo qual os brasileiros dizem ter dificuldade em entender portugueses, angolanos, moçambicanos, e os outros: falta de contacto!
    Cumprimentos.

    • Emanuel on 10 Fevereiro, 2011 at 1:23
    • Responder

    Apenas mais um comentário, Prof. Machado, não se fazem traduções de português do Brasil para o português lusitano, quanto muito poder-se-ão fazer adaptações, na escrita mas não se fazem, em Portugal, legendagens nos programas televisivos oriundos do Brasil.
    Na minha biblioteca, em Portugal, poderá encontrar muitos livros, revistas, músicas de origem brasileira. Aqui no Brasil, cultura portuguesa, só se eu encomendar pela net!
    Cumprimentos

    • Prof. Machado on 10 Fevereiro, 2011 at 3:45
    • Responder

    Caro Emanuel, o problema talvez seja o fato de que tanto no Brasil quanto em Portugal tudo é decidido por “vias políticas”. Se desde sempre os dois principais países lusófonos tivessem desenvolvido sólidos intercâmbios acadêmicos e/ou eventos culturais, não haveria estranheza alguma entre as variantes da língua portuguesa. Comenta-se que o Brasil não honrou um acordo no passado com Portugal, mas ninguém lembra de que naquela época o país sofria uma ditadura e que a democracia só se tornou realidade de vez no final da década de ’80.
    É muito raro ver um debate civilizado entre um português e um brasileiro, pois cada qual tenta achar pontos negativos no país do outro e daí vem às acusações e tudo mais se perde. Claro que muitos brasileiros falam mal de Portugal assim como muitos portugueses falam mal do Brasil. O problema é que não se pode generalizar. Outros esquecem de que milhares de brasileiros são filhos e/ou netos de africanos, Indígenas, alemães, italianos, holandeses, franceses, japoneses e chineses (esses últimos principalmente em São Paulo)… e sentem simpatia pelo país de seus antepassados. O que não é de surpreender, não é? A propósito, nossa presidente Dilma Rousseff é filha de um imigrante Búlgaro e se orgulha de tal povo. No meu caso acontece o mesmo, porém pela terra de meus pais e avós. Muitos amigos meus são netos de alemães e foram criados falando alemão, comendo pratos típicos da Alemanha e dançando danças típicas e, claro, amam suas origens. No Brasil nada é homogêneo, tudo é heterogêneo.
    Quanto a teu último comentário apenas gostaria de ressaltar que sei que não se faz traduções de P.B para P.E, no comentário acima apenas ironizei. Quanto à ausência de contato brasileiro com notícias e cultura de Portugal, tens toda a razão. Diariamente assisto à RTP via satélite e é raro não ver ao menos uma notícia a respeito do Brasil. Durante a programação sempre se fala alguma coisa a respeito de eventos e/ou notícias brasileiras.
    Cumprimentos e um abraço, nobre Emanuel!

    • Emanuel on 10 Fevereiro, 2011 at 14:16
    • Responder

    Caro Prof. Machado, este espaço é excelente para deixarmos os nossos comentários sobre a língua portuguesa, seja ela falada onde quer que seja, e o que todos queremos fazer dela e com ela.
    Poderemos, no entanto, libertar/liberar este espaço para esse efeito e continuarmos a trocar/trocando ideias/idéias por e-mail, se estiver de acordo. Terei todo o prazer em aumentar os meus conhecimentos e divulgar o pouco que sei.
    O meu conta(c)to, para quem o desejar, é: emanueldusanjos@gmail.com
    Cumprimentos renovados de que em português,
    sem ofensas nem brigas, nos entenderemos,
    sabendo que unidos venceremos
    e separados perderemos…

  4. Caro Emanuel,
    Muito obrigado pela sua atitude de elevado civismo. De facto, só uma pessoa bem formada e educada tomaria a iniciativa de ao menos tentar evitar que este espaço para comentários se transforme numa espécie de “mural” de propaganda ou “sala de chat” inconsequente ou pior ainda do que isso.
    Bem haja por isso e também pelo seu contributo, com ponderadas e parcimoniosas palavras, para o esclarecimento dos visitantes que aqui vêm. De mais a mais sabendo-se, como é evidente e por inerência, que este site serve não para “catolizar” ou “convencer” seja quem for seja do que for mas apenas para que os opositores ao AO90 se encontrem e discutam formas de liquidar o monstro ortográfico.
    Calorosas saudações para si.

  5. O bom da vida é a diversificação.Se alguém não entende o outro é pq não quer.Tem espaço para todas as maneiras de falar e usar as palavras.As palavras mais importantes são as mesmas.Amor, paixão, respeito, liberdade, mar, saúde, saudade, PAZ, ternura…
    A culpa do #AO é do povo de Portugal. Não tomaram conta do idioma.

  6. tomou*;))

  7. Exactamente. É isso mesmo e nada mais que esta iniciativa pretende: tomar conta (no sentido de cuidar) do idioma para impedir que um único dos 8 países onde ele existe possa tomar conta (em sentido literal) desse idioma.

    • Emanuel on 10 Fevereiro, 2011 at 22:38
    • Responder

    Caros amigos, falantes e amantes da língua portuguesa (nas suas múltiplas variantes),
    gostaria de deixar aqui mais um esclarecimento.
    Na minha última observação eu disse: “unidos venceremos e separados perderemos”. Não quis de alguma forma dizer que somos forçados a aceitar o AO90, para passarmos a ter, de forma enganadora, uma língua unificada, não, isso jamais acontecerá, quer os defensores do AO90 vençam ou não esta batalha cultural pela diversidade da língua portuguesa. Pelo contrário, eu sou contra o AO90.

    Essa falsa união não acontecerá porque este acordo permite duplas grafias de vocábulos, e a nível de sintaxe permite múltiplos aspectos como “vos digo” ou “digo-vos”, entre outras.
    A união a que eu me refiro é a dos defensores do actual estado de manter as coisas como estavam, até à elaboração do AO90. Se todos nós, europeus, sul-americanos, africanos e asiáticos aceitarmos boicotar o AO90 estaremos unidos na defesa da diversidade.
    Separados perderemos porque se continuarmos com guerras absurdas de quem fala bem ou mal em qual dos países estaremos divididos em batalhas desgastantes permitindo que, nas nossas costas, os governantes façam aplicar as suas vontades prepotentes.

    Apenas, dois trunfos na nossa intenção eu deixarei aqui, um é o da crónica semanal numa revista de programação televisiva, em que Rodrigo Guedes de Carvalho marca, no final de cada texto, a sua posição de que não respeitará as regras do AO90.
    O outro, é a opinião expressa pelo jornal O Público conforme se pode ler abaixo:

    “Nós, no PÚBLICO, sobretudo não compreendemos para que serve [o acordo ortográfico] e, incapazes de entender a necessidade e as vantagens de uma norma global para o português, decidimos não o adoptar. Vamos continuar a escrever a nossa língua como a escrevemos hoje. […] O Governo e os seus aliados da CPLP acreditam que o Acordo é fundamental para afirmar o português no mundo, aproximar os povos e reforçar a união entre os oito países lusófonos. Numa frase, os seus defensores — que incluem respeitados linguistas — argumentam que estamos a falar de um acordo instrumental e estratégico para o futuro. Se todos estes argumentos são utópicos, há um que se destaca como particularmente incompreensível: o de que o português, sem o acordo, terá não duas ortografias oficiais mas oito e que tal “não pode acontecer numa língua que pretende ser universal”. Ora o inglês — essa, sim, uma língua universal por excelência e a do nosso tempo — é a língua oficial de mais de 50 países e não consta que haja um acordo planetário com regras a aplicar por essa enorme variedade de culturas, tons, pronúncias e grafias. Excluindo a polémica sobre a “tradição” do português e o papel das consoantes mudas e as suas variações nos oito países da CPLP, há ainda uma última e fatal fragilidade neste acordo – as regras definidas são facultativas. Para que serve então um acordo global se, afinal, é indiferente escrevermos António ou Antônio?”

    Sugestão: vamos rejeitar a nova forma proposta por este (des)acordo, dito ortográfico, mantendo as actuais diversidades de cada país.
    Vamos abster-nos de verbalizar (e escrever) ofensas entre portugueses e brasileiros, quer consideremos ter razão, ou não, nas nossas opiniões.
    E, assim unidos na diversidade: VENCEREMOS!

    As coisas só têm a importância que nós lhes damos, por isso só consideraremos como ofensa aquilo que nós quisermos ver como tal.
    Não somos obrigados a responder a qualquer observação menos polida.
    E aos comentários menos abonatórios poderemos sempre tentar elucidar sem cairmos na tentação de pagar na mesma moeda.

    Abraço cordial a todos.
    Abraço JPG

  8. Caro Emanuel,

    Mais uma vez subscrevo (quase) integralmente o que diz. Com uma ressalva, porém: não é de agora, é de há muito, é em resultado de uma já (infelizmente) longa experiência nestas “lides” que bem sei – parece-me – distinguir o que é comentário do que é provocação, o que é discussão do que é sabotagem, o que é diálogo, enfim, do que é pura intoxicação. E sei também, parece-me de novo, distinguir entre uma simples resposta, ou duas, ou até três, e aquilo que na cartilha da contra-informação se designa como “carpet bombing”: massacrar sistematicamente até que nada mais exista senão um massacre palavroso, ininteligível e o mais possível absurdo.

    Não me parece que, no caso vertente, se possa confundir legítima defesa – própria e alheia – com “pagar na mesma moeda”. Longe disso, por sinal.

    Um abraço.

  9. …no que respeita á minha concordância ou não, com o acordo ortográfico, a minha resposta de há muito tempo é um não MUITO GRANDE. PORQUÊ? – Simplesmente porque ele dá mostras da pequenez em que somos e nos tornámos… a outra razão, essa para mim com muito valor; afinal quem foi o povo COLONIZADO? Nós ou os Brasileiros! – Porque não devem os colonizados aprender como deve ser, a língua que lhes deixámos e que eles tornaram num trapo de limpar a boca, não aprendendo o suficiente, nem mesmo com a espantosa Biblioteca que lhes deixámos e agora querem que aceitemos termos que aprenderam com os escravos?? – Aceito a adopção de alguns termos, sim, isso indicará a nossa boa vontade de incluir o grande país em que o Brasil se tornou, Mas recusar as minhas origens??? – NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM. jOSÉ MIRA.

    • João Rodrigues de Souza on 20 Julho, 2011 at 16:32
    • Responder

    Penso que o comentário acima resume o sentimento dos idealizadores da “ILC”. Nada mais claro do que isso. Que sejam bem-vindos os PALOP, o Brasil orgulha-se de tê-los em sua cultura, bem como os nipônicos, germânicos, italianos, holandeses…

    Quanto a variante que o mundo respeita e quer aprender, deixo os “links” que se seguem:

    http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/v/eua-enviam-americanos-para-novas-oportunidades-no-brasil/1538549/#/Edi%C3%A7%C3%B5es/20110616/page/1

    http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Russos-aprendem-portugues-com-sotaque-brasileiro.rtp&headline=20&visual=9&article=390697&tm=7

    O resto é paisagem!

    Cumpts

    • María Gusmão. on 30 Agosto, 2011 at 14:43
    • Responder

    Ao visitar este blogo me senti muito ofendida! Confesso que o procurei para juntar forças com o povo português contra o AO90. Fui atraída por comentários tais como: “Juntem-se a nós…” Sou Angolana e falo o português como minha primeira língua. Comentário como os do Sr. José Mira demonstram uma ideia inexistente de superioridade baseada na historia de colonizações que tanta agonia e sofrimento causaram a inúmeros africanos. Li vários comentários preconceituosos em que muitas pessoas acusam aos brasileiros de falarem “pretoguês”. Ou seja, se aplicam tal termo ao povo brasileiro de forma pejorativa o que pensarão de nós? Os termos africanos usados no Brasil causam algum dano à língua? Somos nós inferiores aos europeus? No século XXI ainda há espaço para termos como COLONIZADORES e COLONIZADOS? Pensar que Portugal deve dictar regras de língua portuguesa por ter sido lá que a variante vulgar do latim se formou e recebeu o nome de Português(com toda a justiça) não é tão absurdo como achar que o Brasil por ter mais de 90% do total de falantes possa fazer o mesmo?
    Actualmente o nosso governo estuda a possibilidade de adoptar o AO90 ou não. Há uma grande massa da população angolana que já usa a grafia brasileira por diversos factores. Dentre eles, o facto de que a televisão e as músicas brasileiras estão presentes no nosso dia-a-dia. Hoje muitos jovens de Angola desde miúdos “idolatram” futebolistas brasileiros bem como astros da música. Geralmente pessoas de pele negra.

    Agradeço-lhes, cordialmente, esse espaço e peço desculpas pelos possíveis erros gráficos que possa haver cometido, pois tenho mais de 60 anos e estudei apenas quatro anos e meio na escola.

    Votos de sucesso para vossa causa.

    Maria Gusmão.

    1. «Os comentários neste “blog” são da responsabilidade exclusiva dos respectivos autores. Quaisquer comentários xenófobos, racistas ou ofensivos poderão não ser aprovados ou ser apagados se e quando detectados por qualquer dos administradores.»
      http://ilcao.com/?page_id=2

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