Jun 19 2015

Fim

ILCAO_assinaturas_caixas1. Tudo começou no dia 25 de Setembro de 2008, num “post” em que se referia a possibilidade de avançar com uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra a entrada em vigor do Acordo Ortográfico. Redigida e publicada a ILC, começaram a ser recolhidas assinaturas no dia 8 de Abril de 2010. Em Março de 2014 foi aqui divulgado o total de subscrições recolhidas até então (14.112), tendo sucedido – aliás, como previsto – que daí em diante o afluxo de assinaturas caiu a pique.

2. Mas nem assim desistimos, como é evidente. Continuámos na luta, até porque não havia qualquer alternativa à ILC-AO e porque desistir pura e simplesmente não era (como não é nem será jamais) uma opção. Por isto mesmo lançámos, no passado dia 10 de Abril, a ideia de passar a nossa iniciativa e a luta contra o AO90 em geral a outro patamar, através da criação de um partido político – transversal e abrangente – com a finalidade única de concorrer às próximas eleições legislativas e assim levar ao Parlamento a “questão ortográfica”. Esta ideia não colheu, infelizmente, uma base de apoio minimamente significativa, tendo mesmo sido ostensivamente ignorada, ostracizada e até (literalmente) censurada em diversos grupos e tendências “desacordistas”.

3. Tomámos conhecimento apenas ontem, 18 de Junho de 2015, de que foi  lançada uma outra campanha de recolha de assinaturas, desta vez para a convocação de um referendo nacional sobre o Acordo Ortográfico de 1990. Trata-se, a julgar pelos conteúdos publicados no “site” de promoção do dito referendo, de algo que passou já do plano das meras intenções e que está agora em pleno movimento, com uma organização constituída, com meios próprios, com mecanismos estabelecidos e também com o apoio expresso de muitas “figuras públicas” (a maioria das quais subscreveu em tempos a nossa ILC), além de inúmeros voluntários anónimos.

4. Não podemos nós, assim sendo, obstar seja de que forma for, colocar seja que obstáculos for ou de alguma forma “concorrer” com aquela outra campanha. Isto significa, evidentemente, que é este o momento certo para que deixemos o “campo” livre, para que saiamos de “cena”, para que, em suma, dêmos por terminada a nossa iniciativa. Apenas nos resta agora, para encerrar definitivamente a ILC-AO, entregar aos serviços competentes da Assembleia da República as subscrições recolhidas até hoje e desactivar todos os nossos mecanismos de recolha.

Termina assim, pela nossa parte, porque é apenas isso que podemos e devemos fazer em prol de uma Causa que a todos diz respeito, uma já longa e por vezes extenuante luta. Fizemos o nosso dever, nunca virando a cara a essa mesma luta que, pelo menos, conseguimos manter viva, pulsante, vibrante, ao longo de vários anos, quando praticamente não havia mais ninguém além de uns poucos resistentes nem mais nada além desta iniciativa cívica como arma para travar um combate que sempre foi desigual.

Cumprimos a nossa parte e assumimos as nossas responsabilidades, desde sempre e também agora mesmo, com esta derradeira atitude. Que outros cumpram a sua e assumam as suas.

 

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22 comentários

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    • Jorge F. on 19 Junho, 2015 at 23:13
    • Responder

    Presto-lhe a minha homenagem sincera. Recolhi e enviei cerca de 200 assinaturas, e não deixo de sentir algum desapontamento por verificar que tenha sido tão difícil chegar ao objectivo pretendido.

    Da vossa parte fizeram, têm feito, um trabalho notável, que tem mantido viva esta resistência ao AO, que muitos desejariam que já tivesse acabado há muito.

    Sempre me pareceu que a vossa proposta, da ILC, é coerente e com a virtude das causas justas.

    São um exemplo da causa cívica, de afirmação da liberdade de pensar e recusa da imposição absurda e da estupidez vigente.

    Bem hajam.

    Jorge F.

    • Elmiro Ferreira on 20 Junho, 2015 at 1:04
    • Responder

    Foi aqui que encontrei, creio em 2010, a primeira indicação da existência de uma luta contra a aberração ortográfica. Lamento só ter enviado 3 subscrições e quero exprimir o meu reconhecimento pelo vosso trabalho exemplar. A Língua Portuguesa só pode sentir-se honrada pela ILC contra o AO90.

    • António Espirito Santo on 20 Junho, 2015 at 6:10
    • Responder

    Assinei e participei activamente com o envio de várias folhas com assinaturas. Nesta e/ou noutras iniciativas que surjam a minha atitude será sempre a mesma. Não a esta fraude!!!

    • Luís Ferreira on 20 Junho, 2015 at 7:12
    • Responder

    Compreendo, mas lamento a decisão e sinto-me feliz por ter participado nesta ILC.
    Contudo, a luta contra o AO não pode acabar. O mal maior é o AO. É contra esse acordo que lutamos!

    Envio um abraço ao João Graça e endereço-lhe os meus agradecimentos por ter tido a coragem e o discernimento de ter criado este movimento.

    Obrigado a todos!!!

    • Luis Afonso on 20 Junho, 2015 at 11:46
    • Responder

    A toda a Equipa, o meu reconhecimento pela iniciativa, pelo esforço, dedicação e perseverança ao longo destes anos.

    É de facto frustrante a luta contra seres imateriais, surdos, mudos, arrogantes e com poder ilegítimo que exercem de forma ilegal, alarve e prepotente.

    Pela mera acção de resistência activa, sempre preocupada em manter afastadas desta causa quaisquer ideologias partidárias, a ILC-AO merece igualmente o meu apreço.

    Creio que só resta a cada um, para além de abraçar outras iniciativas que veja com bons olhos no sentidio de pôr fim a esta imposição absurda, a sempre possível resistência passiva, negando-se a utilizar nos seus escritos o AO90, recusando-se a comprar livros, jornais, revistas, etc., que o tenham adoptado, e recusar-se a sentir que, por adoptar essa postura, passou a integrar uma espécie de movimento clandestino que, a partir de agora, deva manter-se escondido com medo de represálias ou de ser visto como retrógrado e antiquado.

    Talvez tenha cabimento — obviamente atendendo às diferentes circunstâncias e consequências e portanto com as devidas ressalvas e respeito por cada uma das causas — recordar a estratégia de Ghandi.

    Obrigado por tudo!

  1. Caro João Pedro Graça,
    comecei a combater o acordo ortográfico em 1986. Nesse tempo, as figuras que se destacaram foram Vasco Graça Moura e Miguel Esteves Cardoso. A reacção pública em defesa da Língua Portuguesa foi violenta.
    Muitos pensaram (eu também) que a aberração ficaria por aborto. Puro engano. Na distracção geral, os políticos e académicos acordistas, sem espavento, à sorrelfa, aproveitaram uma cimeira da grotesca CPLP e assinaram, certamente como a literacia de cada um permitiu, o decreto de analfabetização de um povo.
    Como já me sucedera antes, por outros motivos, confrontei-me com a acabrunhante impotência da cidadania. Que importam os direitos, a razão, a justiça? A tirania é isto mesmo.
    Entretanto, os anos passaram e, aparentemente, de adiamento em adiamento, o nefando parecia condenado a nunca sair do esgoto que bem lhe competia, por senso e gosto.
    Ingenuidade incurável! Eles urdiram bem a coisa. Esperaram o alinhamento astral mais conveniente e, de sopetão, ratificaram o protocolo polémico e calendarizaram a ruína do Português.
    Anarquista por natureza, reagi individualmente, começando a zurzi-los como podia, em escritos e palestras. Sabia que iria acabar a falar sòzinho, talvez no adiado hospício que sempre tem lugar para perfis de tal jaez.
    De súbito, talvez em 2009, leio, no PÚBLICO, que existe a ILC. Procurei saber quem promovia, como poderia aderir. Na net, encontro, entre vários, o nome do João Roque Dias, com contacto telefónico. Liguei-lhe e ele deu-me o Teu endereço.
    Poucos dias depois, conhecemo-nos pessoalmente e eu senti que esta Causa tinha ainda algumas hipóteses de êxito.
    Trabalhámos em conjunto e sempre estive, como estou, convicto de que a ILC seria o caminho certo, designadamente se pudesse contar com o impacto social que todas as iniciativas menos consistentes vão tendo. Infelizmente, a ILC surge sempre cinzenta, apesar de milhares de assinaturas e de milhares de entusiastas anónimos. Mas qualquer fogacho, ainda sem qualquer adesão e de futuro duvidoso, resplandece pujante, qual “amanhã que canta”, como se a vitória fosse certa e todos os inimigos fenecessem à fulminante passagem do Anjo do Senhor.
    Como é evidente, desejo a melhor sorte a todas as demandas contra o abjecto.
    Como Te disse o saudoso VGM, no Centro Nacional de Cultura, no dia em que assinou a ILC, “eu assino tudo o que seja contra o acordo ortográfico!”
    Temo, porém, que esta tardia pulsão seja apenas um sonho agradável, de formato mais juvenil que o dos seus promotores, em ambiente de ‘chá das 5’. E que acabe por se tornar no conveniente enterro de uma luta que, mesmo nos piores momentos, nunca esmoreceu.
    Seja como for, se o assunto está vivo e é debatido, se há iniciativas, se há polémica, se alguém se agita ainda, tudo isso se deve à ILC. E, portanto, deve-se a Ti, João Pedro Graça, que, sem meios, sem estrutura, sem fundada esperança, soubeste resistir e trazer para a liça os inconformados. Deste voz aos anónimos, puseste-os na História.
    A Causa poderá não sair vitoriosa. Mas todos nós, pelo Teu exemplo, já ganhámos.
    Pessoalmente, só posso protestar a honra de ter combatido, modestamente é certo, ao lado de um patriota.
    Obrigado por tudo.
    Teu Amigo
    Paulo Jorge Assunção

    • Jorge Teixeira on 21 Junho, 2015 at 0:08
    • Responder

    Resta-me pedir que não desistam, não dêem a ILC por terminada. Mesmo que esta nova campanha pró-referendo consiga as assinaturas necessárias, a ILC continua a fazer sentido.

    Temo que a proposta de referendo, mesmo que chegue à Assembleia da República, será apenas travada pelos partidos do costume ou então a matéria será declarada “não referendável”.

    O estatuto do referendo em Portugal é muito estreito e com o sofisma de que o AO90 é um “tratado internacional” facilmente será impedido um referendo. E toda a campanha pró-referendo acabará por ter o efeito perverso de dar uma aparência de legitimidade ao AO90. Quando a verdade é que a grande razão do AO90 ser ilegítimo é que a língua que um povo fala e a forma como escreve são matérias que estão para além da esfera de competência do Estado e do Governo. Não são matérias legisláveis (é por isso que a constituição dos E.U.A. não estabelece nenhuma língua oficial) e esse deveria ser o centro da luta. O Estado não tem legitimidade de mando nesta matéria.

    Agora se a Assembleia da República fosse pressionada simultaneamente por duas iniciativas, uma pró-referendo e outra a Iniciativa Legislativa de Cidadãos, aí seria bastante mais difícil aos partidos do costume ignorar duas iniciativas no mesmo sentido de cidadãos, ancorados no peso esmagador do número de assinaturas que a Lei impõe. Aí sim, eu começaria a ter esperança.

    Em resumo, o meu apelo é o seguinte:
    – Não se ponha fim à I.L.C.
    – Contacta-se os proponentes do referendo e faça-se recolha cruzada de assinaturas:
    que a I.L.C. recolha assinaturas para si própria e para o referendo; que a campanha do referendo recolha assinaturas para si própria e para a I.L.C. Quem tem vontade de assinar uma certamente terá vontade de assinar a outra!
    – Que sejam ambas entregues simultaneamente na Assembleia da República.

    Que isto não seja o Fim. Que seja o Princípio.

    • Maria José Abranches on 21 Junho, 2015 at 0:49
    • Responder

    Acabo de ler o comentário de Jorge Teixeira, que me parece duma grande lucidez e pertinência. Só posso estar de acordo. E eu diria ainda outra coisa: todos nós, os que já assinámos a ILC, precisamos de dar sentido ao nosso empenho, tudo fazendo para levar a bom termo esta iniciativa. E mais: à minha conta, consegui e enviei por correio 352 assinaturas, que recolhi porta a porta. Sinto-me também responsável perante todos esses subscritores que confiaram em mim. Esta luta tem de continuar e contar com ‘todos’ os portugueses que são contra o AO90.

  2. A escrita rápida e sem revisão tem destas coisas. Claro que é ‘supetão’ e não “sopetão”, como é ‘súbito’ e não “sóbito”. Peço desculpa pelo lapso. Já castiguei o dedinho culpado.

    • Basílio on 22 Junho, 2015 at 12:19
    • Responder

    É hora de cooperar e renovar, trata-se de um só esforço unido.
    Petição Acordo Ortográfico – Exigimos decidir, Exigimos Referendar o Acordo Ortográfico!
    4.077 subsritores
    Já sobre ao parlamento.

    • Isabel Coutinho Monteiro on 22 Junho, 2015 at 12:23
    • Responder

    Uma palavra de grande apreço a João Pedro Graça, “pai” da ILC, por todo o trabalho, inquietação e dedicação, em detrimento da sua vida pessoal, mas em prol da Causa que muitos se limitaram a dizer que abraçavam.

    Obrigada a todos os que, como o JPG, não desistiram nunca de procurar subscritores para a ILC. A nossa luta não pára por aqui.

    Contra o AO90, sempre!

    • Basílio on 22 Junho, 2015 at 12:26
    • Responder

    * Já sobe ao parlamento.

    APELO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Em defesa da Língua Portuguesa na União Europeia
    Assinaram a petição 2.184 Pessoas (vai a meio caminho)
    O bombardeamento tem de continuar até sermos ouvidos e considerados, como deve ser.

  3. Li com atenção os comentários de todos os amigos… O que posso acrescentar, numa altura complicada para todos os que resistem, que não tenha sido já dito? Parece-me que nada. Vou, por isso, apenas dizer que o trabalho desenvolvido por João Pedro Graça (e outros) é merecedor de continuidade. As Iniciativas patrióticas não podem morrer descalças diante da passividade e da estupidez de quem manda no país.
    Pessoalmente continuarei a bater-me pela defesa da Língua, com as armas que achar úteis, e continuarei a aliar-me a todos os que no futuro resistirem. Penso que perder uma ou duas batalhas não é perder a guerra. Quem sabe se a guerra não está aí para “lavar e durar”…
    Termino com o mesmo apelo de M.J.A.: “Esta luta tem de continuar e contar com ‘todos’ os portugueses que são contra o AO90.” Do norte, do centro, do sul, de direita ou de esquerda.

    Um abraço para todos!

    José Cabral da Silva

    • António Silva Torres on 23 Junho, 2015 at 16:13
    • Responder

    A minha homenagem sincera a quem manteve este facho a arder por tanto tempo.
    Continuei a recolher assinaturas, neste momento tenho aqui umas dez. Costumo enviá-las em remessas de vinte e tal. Assim sendo, nem sei se vale a pena fazê-las chegar ao destino.

    Um forte abraço!

    • Maria José Abranches on 23 Junho, 2015 at 18:49
    • Responder

    Quero deixar aqui a todos os que lançaram e têm construído a ILC o meu apelo premente, e em especial ao João Pedro Graça e ao Rui Valente, sem esquecer a Hermínia Castro, com quem, de uma maneira ou de outra, tenho estado em contacto ao longo de todos estes anos:

    – por favor, continuem com a ILC, como tem vindo a funcionar até agora! Não matem a resistência que ela tem ajudado a manter e a difundir. É ela que nos tem mantido unidos, actuantes e esperançados, na medida das nossas limitadas possibilidades de cidadãos comuns! Sei que estou a pedir a continuação de um imenso esforço – que mais uma vez agradeço – e só posso dizer que podem sempre contar comigo!

  4. Compreendo a decisão da ILC a quem muito devemos a defesa da Língua Portuguesa, mas concordo inteiramente com o apelo de Jorge Teixeira. Tanto mais que uma desistência pode levar à satisfação dos responsáveis pela manutenção do AO. Acredito que esteja a chegar o momento que irá mudar em definitivo o Acordo Ortográfico. Diariamente e ao longo de vários anos tenho comentado o assunto com pessoas diferentes e posso dizer que já serão uns milhares que não concordam com este AO e apenas uma que encontrei em sua defesa, mas apresentando argumentos de indiferença mais do que crença. Tenho verificado também que cada vez mais pessoas falam abertamente no assunto em defesa da Língua Portuguesa contando exemplos sobre o absurdo do AO.
    Grata por tudo o que fizeram a bem de todos.

    1. “Desistência”? Mas qual “desistência”? Onde está a desistência? Não aqui, com certeza. Aqui sempre houve Resistência. Só.

    • Maria do Carmo Vieira on 26 Junho, 2015 at 13:27
    • Responder

    Partilho o comentário de Jorge Teixeira e da minha colega e amiga Maria José Abranches e deixo o meu profundo apreço pelo trabalho de João Pedro Graça e equipa que não pode ser interrompido. É esta sabujice do AO que o exige. Aliás, a reacção de João Pedro Graça é, nesse sentido, expressiva. Estou com a ILCAO mas irei também recolher assinaturas para o referendo.

    • Jorge Pacheco de Oliveira on 29 Junho, 2015 at 0:58
    • Responder

    Só hoje tomei conhecimento desta notícia do Expresso do passado dia 23 de Junho :

    O debate sobre o acordo ortográfico que obrigou a uma ata (e a uma acta) da CPLP com duas grafias.

    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-06-23-O-debate-sobre-o-acordo-ortografico-que-obrigou-a-uma-ata–e-a-uma-acta–da-CPLP-com-duas-grafias

    É de registar a louvável atitude dos representantes da Guiné, de Angola e Moçambique. Encoraja a prossecução da luta contra o AO.

    Cumprimentos
    Jorge Pacheco de Oliveira

    • Jorge Teixeira on 30 Julho, 2015 at 15:28
    • Responder

    Acabo de ler os artigos que saíram no Público assinados por juristas defensores do referendo. Não sei o que pensam que vão conseguir com um artigo em que basicamente elencam que todos os partidos são oficialmente a favor do AO90 menos o PNR (!!!).

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