«Mendes Bota insta grupo parlamentar do PSD a debater AO90» [notícia “i”, 26.02.14]

Actualização da notícia às 22:30 h (26.02.14):
«Numa carta que enviou a todos os deputados do PSD e a que o PÚBLICO teve acesso, o deputado propõe que o grupo parlamentar apresente um projecto de resolução propondo a revogação do acordo ortográfico e desencadeie um novo processo de revisão do acordo ou então que proponha simplesmente a suspensão do acordo. Mendes Bota diz mesmo preferir esta última.»
Público

Ora bem. Como dissemos na primeira versão deste “post”, “poderá ter existido nesta notícia um tratamento jornalístico tendencioso, por parte da agência Lusa, continuaremos, por conseguinte, na expectativa de que o senhor deputado Mendes Bota venha a ter o maior sucesso quanto à iniciativa (essa sim, uma solução) que apresentou aos seus colegas de bancada”.

Confirma-se, assim sendo: não “poderá ter existido” um tratamento jornalístico tendencioso da Lusa, o que aliás já vai sendo hábito no “trabalho” daquela agência de propaganda acordista; houve mesmo um tratamento tendencioso, como se vê.


logotipojornali Mendes Bota sublinha ainda que o Brasil “acaba de adiar o fim do período de transição” para 31 de Dezembro de 2015

O deputado social-democrata José Mendes Bota enviou uma carta ao grupo parlamentar do PSD, a defender que o partido debata a questão do Acordo Ortográfico, que, na sua opinião, deve ser suspenso.

Numa carta enviada em meados de Fevereiro ao grupo parlamentar, a que a Lusa teve hoje acesso, Mendes Bota considera que, no âmbito do debate e votação em plenário dos projectos de resolução sobre o Acordo Ortográfico, agendada para sexta-feira, o tema deve ser discutido pelo grupo parlamentar do PSD.

“Contrariamente àquilo que todos nós pensávamos, o Acordo não conduz a uma verdadeira unificação ortográfica entre todos os países de língua oficial portuguesa, mas sim a um distanciamento entre ortografias do português costumeiro e do português do Brasil, o que, em si, é uma grave violação dos objectivos a que se propunha o próprio tratado”, refere Mendes Bota na carta.

O deputado alerta que “Portugal corre o risco de, em 2016, vir a ser o único país a aplicar obrigatoriamente uma ortografia ‘abrasileirada’, que nem era a sua”, recordando que países como Angola e Moçambique “não ratificaram sequer o segundo protocolo modificativo” e que Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste “não estão a aplicar” o Acordo Ortográfico.

Mendes Bota sublinha ainda que o Brasil “acaba de adiar o fim do período de transição” para 31 de Dezembro de 2015, apontando que, a 01 de Outubro do ano passado, a comissão da Cultura, Educação e Esporte do Senado brasileiro “criou um grupo de trabalho técnico para rever as 21 bases” do Acordo e “propor outra reforma ortográfica“.

Perante isto, o deputado social-democrata sugere três caminhos ao grupo parlamentar do PSD: apresentar um projecto de resolução, a propor a revogação do Acordo, desencadear de um novo processo de revisão e propor a suspensão do AO90 (Acordo Ortográfico) ou a suspensão da aplicação da utilização do conversor LINCE e do Vocabulário Ortográfico do Português.

“Desde já manifesto a minha preferência pela solução número dois”, refere Mendes Bota na carta, ou seja, a proposta de suspensão do Acordo.

Refere, no entanto, que, se o grupo parlamentar, “por orientação superior, ou por decisão maioritária entre os deputados do PSD, optar por rejeitar qualquer uma das propostas de iniciativa parlamentar anteriormente sugeridas”, desde já requer, “no mínimo dos mínimos, que seja dada liberdade de voto aos deputados” do partido, “para votarem em consciência” no projecto de resolução n.º 890/XII/3, da autoria dos deputados Ribeiro e Castro, Michael Seufert e Mota Amaral.

Contactado pela agência Lusa, Mendes Bota escusou-se a fazer comentários sobre o tema, adiantando que só fala sobre ele, no seio do grupo parlamentar.

Na carta, Mendes Bota considera que o projecto de resolução do PSD (no qual se propõe ao Governo que crie um grupo de trabalho que, em quatro meses, faça um ponto de situação e proponha a revogação, a suspensão ou a revisão do AO) é “uma solução fraca”, mas, mesmo assim, “é melhor que nada”.

[Transcrição integral de notícia do jornal “i“, despacho de agência Lusa, publicado “online” em 26.02.14. “Links” e destaques adicionados por nós.]

Conforme antes aqui deixámos expresso, sob mais do que uma perspectiva, a ILC AO não se revê no projecto de Resolução parlamentar apresentado pelos deputados Ribeiro e Castro, Michael Seufert e Mota Amaral, o qual (projecto) consideramos não ser “melhor do que nada”; pelo contrário, o dito projecto é apenas “mais do mesmo“.

Porque poderá ter existido nesta notícia um tratamento jornalístico tendencioso, por parte da agência Lusa, continuaremos, por conseguinte, na expectativa de que o senhor deputado Mendes Bota venha a ter o maior sucesso quanto à iniciativa (essa sim, uma solução) que apresentou aos seus colegas de bancada recentemente: «que os deputados do PSD sejam chamados a pronunciar-se sobre a possibilidade de apresentação de uma iniciativa legislativa que suspenda a aplicação do Acordo».
Sem mais delongas, atrasos, adiamentos, que disso já temos todos mais do que a conta.

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