Uma nota anotada

logotipojornaliO acordo ortográfico
O parlamento, adiou a votação de petições relativas ao Acordo Ortográfico, no passado dia 20 de Dezembro. Fez bem. Porque, conforme se vaticinou aquando da sua aprovação, na forma e conteúdo, cometeram-se erros. E hoje a sua aplicação no espaço lusófono é uma grande trapalhada. É um assunto que deve merecer o melhor das nossas atenções nos próximos meses. O curioso é ouvir altos dignitários do Estado português a dizerem que não sabem afinal o que é o Acordo Ortográfico…

[Transcrição (ipsis verbis) de nota da autoria de Feliciano Barreiras Duarte, jornal “i” de 25.12.13, na sua coluna semanal “As Leis do Poder.]

armasRPArtigo 24.º – Apreciação pelo Plenário
(…)
4 – A matéria constante da petição não é submetida a votação, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
5 – A comissão competente pode apresentar, juntamente com o relatório, um projecto de resolução, o qual é debatido e votado aquando da apreciação pelo Plenário.
6 – Com base na petição, pode igualmente qualquer deputado apresentar uma iniciativa, a qual, se requerido pelo Deputado apresentante, é debatida e votada nos termos referidos no número anterior.

(…)

[Extracto da Lei 43/90, “Exercício do Direito de Petição”.]

Notas

«O parlamento, adiou a votação de petições relativas ao Acordo Ortográfico, no passado dia 20 de Dezembro.»
Não, não adiou a “votação de petições” porque… as petições não são votadas.

«Fez bem. Porque, conforme se vaticinou aquando da sua aprovação, na forma e conteúdo, cometeram-se erros
Conforme se vaticinou, não! Conforme se comprovou plenamente, isso sim. E portanto essa “aprovação” foi, no mínimo, muito (mas mesmo muito) estranha, já que ficou então mais do que provado que o AO90 é todo ele um erro. Colossal.

«E hoje a sua aplicação no espaço lusófono é uma grande trapalhada.»
Não é a aplicação do AO90 que é uma “grande trapalhada”, o AO90 é que é uma “grande trapalhada”. Acabe-se de uma vez por todas com a trapalhada original e pronto, acabam-se as trapalhadas todas com uma “aplicação” que por isso mesmo não existe.

«É um assunto que deve merecer o melhor das nossas atenções nos próximos meses.»
Ou anos, se for preciso. E não apenas “o melhor das nossas atenções” como o melhor dos nossos esforços activos. Resistir e lutar, isso é que é preciso, visto que atentos (muito, mas mesmo muito atentos) estamos nós.

«O curioso é ouvir altos dignitários do Estado português a dizerem que não sabem afinal o que é o Acordo Ortográfico…»
Pois sim, isso é mesmo “curioso”, mas também não deixa de ser curioso o facto de o deputado relator de uma petição contra o AO90 pelos vistos desconhecer que uma petição “não é submetida a votação”. Ou então lá terá sido gralha, lapsus linguæ, enfim, um qualquer problema de expressão.

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4 comentários

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  1. “O parlamento, adiou a votação de petições relativas ao Acordo Ortográfico, no passado dia 20 de Dezembro.”?

    ERRADO.

    “O parlamento adiou”.. etc. Aquela vírgula não deveria estar ali.
    Feliciano Barreiras Duarte, analfabeto.

    • Jorge Teixeira on 2 Janeiro, 2014 at 13:34
    • Responder

    Como já todos sabíamos, as petições são absolutamente inúteis. Já outros tentaram, e com números de signatários expressivos, e falharam. Falharam porque é um instrumento legal criado só para “inglês ver”. As energias dos senhores que promovem petições inúteis seriam mais bem gastas se fossem concentradas em apoiar a ILC. E porque não o fazem? Só porque não foram eles a ter a ideia? Estaremos condenados a este fado de onde há dois portugueses, haver duas associações de portugueses? Se os senhores que promovem todas estas petições que são absolutamente inúteis promovessem a subscrição da ILC, já esta teria adquirido outro peso político.
    Será desta que acaba a sede de protagonismo e se começa a pensar no interesse público? Ou ainda vamos ter mais petições?

  2. Subscrevo as suas palavras, caro Jorge Teixeira. Não falta nem sobra nem uma vírgula.

  3. Erros crassos do Português que inclusive nos causam graça…
    Gostei muito das observações nobre colega.
    Abraço.

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