(O AO90) «não é ortográfico, é ortofónico» [Senadora Ana Amélia, 11.09.13]

Interessantes declarações da Senadora brasileira Ana Amélia, em audiência com o Embaixador José Roberto de Almeida Pinto, representante permanente do Brasil junto da CPLP. Interessantes declarações, repita-se, não apenas porque a Senadora nega o carácter ortográfico do “acordo… ortográfico” (no que não foi desmentida) como também porque refere claramente os “interesses por detrás” desse “acordo ortofónico” e ainda, ou mais ainda (interessantes), porque desvenda numa única frase algo que se deverá enquadrar na categoria de “segredo de Estado” em Portugal:

Há uma resistência, especialmente na comunidade de Língua Portuguesa, liderada por Portugal, e o próprio Ministério, a Secretaria da Cultura de Portugal mandou retirar dos programas de computador as correcções para a nova nomenclatura do acordo ortográfico que foi elaborado no Brasil pela Academia Brasileira de Letras“.

Durante a sabatina que antecedeu sua aprovação na CRE, a senadora Ana Amélia (PP-RS) questionou José Roberto quanto às dificuldades de implementação do acordo ortográfico da língua portuguesa, devido às resistências que teriam origem, principalmente, em Portugal. Inicialmente, a previsão é que o acordo passasse a vigorar já em 2013, mas a data foi adiada para 2015. Além disso, a senadora observou que, para alguns especialistas brasileiros, o acordo seria ortofônico, e não ortográfico.
(fonte)

ortofonia (Priberam)
s. f.
Arte de corrigir terapeuticamente os vícios sónicos.

or.to.fo.ni.a, substantivo feminino (“Wikcionário“)
articulação perfeita dos sons (de uma língua)
arte de corrigir os vícios da pronúncia

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9 comentários

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    • Bruno Cunha on 13 Setembro, 2013 at 17:37
    • Responder

    Que conversa da treta

  1. Uma confusão pegada. A única coisa que se tira desta conversa de chacha é a crónica ignorância no Brasil (por desprezo) do que respeita a Portugal. Aquilo de retirar dos computadores «correcções para a nova nomenclatura» são ecos mal esclarecidos do pontapé no Lince no C.C.B..
    Até a notícia da Restauração de 1640 chegou ao Brasil mais célere e mais exacta, carago!
    Irra que só conhecem o próprio umbigo!
    Cumpts.

  2. A posição desta gente tão bem informada resume-se nisto:

    A bondade do acordo mede-se pela formidabilidade de 8 países terem acordado num texto. Se o texto é mau, isso não é para aqui chamado. A culpa de tanto atraso é de Portugal, porque tinha colónias (malandro) e não aceitava o tupi como lingua oficial (malandro ao quadrado). A divergência começou em 1911 pela mão de Portugal asseguram, mas esquecem-se que começou em 1907 pela mão do Brasil.

    Admitem não serem especialistas, mas o acordita tem mesmo de ser bom, porque tem o carimbo da ABL e os malandros dos angolanos ainda não tiveram a deferência e humildade de o ratificar (bem-hajam).

    Vamos escrever em acordita porque é novo, bonito e transpira sofisticação! Porquê? Porque sim. Porque são as pessoas de bem contra esta parvoíce? Deixa estar, são retrógradas.

    • Jorge Pacheco de Oliveira on 14 Setembro, 2013 at 14:49
    • Responder

    A situação actual parece mostrar que não há possibilidade de conciliação entre a ortografia do português em Portugal e no Brasil. Portanto, só nos resta suspender e revogar o AO90 em Portugal. Os outros países, antigas colónias de Portugal, a começar pelo Brasil, que façam como melhor entenderem. Amigo não empata amigo. É que isto já se torna enjoativo.

  3. Caro Afonso, o que fez o Brasil em 1907? Desculpe-me a ignorância. Apenas conheço 1911, 1945, 1947…

  4. A primeira revisão ortográfica foi a brasileira, em 1907. O preâmbulo do AO90 esquece-se dela e acusa Portugal de ter começado a definir nova ortografia em 1911. Veja, por exemplo: http://ilcao.com/?p=2431

    • Maria José Abranches on 21 Outubro, 2013 at 13:56
    • Responder

    Continuando o comentário anterior, de Afonso Loureiro, sugiro aos mais interessados e curiosos que leiam o texto “Reforma Ortográfica e Nacionalismo Linguístico Brasileiro”, cujo autor é brasileiro, Professor Maurício Silva (USP): http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67.html

  5. Muito obrigado! Desconhecia. Pelos vistos foi uma proposta abafada, mas sem dúvida que terá sido a génese de tudo.

    Eu já nem sei, acho que há tanta coisa aqui metida, e em todas as “reformas e acordos”. Nacionalismos, imperialismos, interesses financeiros…

    Se pudessem definir os verdadeiros interesses subjacentes a cada reforma numa frase, como o fariam? São todas variantes da mesma coisa? Não será que a reforma de 1911 foi uma maneira de tornar a língua menos representativa da monarquia, por exemplo?

    • Jorge Teixeira on 22 Outubro, 2013 at 16:40
    • Responder

    @SH cada “reforma” foi o produto de uma determinada forma de “despotismo iluminado” e cada uma teve efeitos nefastos. Mas isso não implica que deva deitar fora o menino com a água do banho, e lá porque todas as “reformas” têm piorado a escrita do português então aqui vai disto e com o AO90 piora-se ainda mais e que se lixe.
    O AO90 representa um empobrecimento irremediável da escrita do português que não é recuperável. É deitar fora o menino com a água do banho. Tem de ser recusado.

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