«Observação: Nem dadas!» [Octávio dos Santos, blog “Octanas”, 09.12.2012]

Não é a primeira nem, certamente, será a última empresa portuguesa a lançar no mercado nacional, e, logo, principalmente, preferencialmente, para os consumidores portugueses, um produto ou um serviço com uma designação em inglês. Porém, a Porto Editora não é, neste âmbito, uma empresa qualquer, e não só por se ter especializado em dicionários e em manuais escolares: é «apenas» a entidade privada que mais tem preconizado, no nosso país, a aplicação do malfadado «acordo ortográfico de 1990»…

… Pelo que não pode deixar de ser considerado incongruente, e até ridículo, que uma das suas mais recentes iniciativas editoriais tenha sido denominada como… «Book Gift»!

Sim, tanto «amor» pela língua portuguesa, tanto «empenho» na sua defesa, tanto «esforço» na sua valorização… e «uniformização»! Há, pois, motivos para esperar que, se voltarem a dar um tom anglófono a um próximo lançamento, não hesitarão em utilizar palavras com «ph» e consoantes repetidas, que só em português são «arcaicas»… Por exemplo, «Reading Support»; ou «Philosophy Essentials»; ou, emulando a SIC e a TVI, cujos espaços para as crianças são, respectivamente, SIC K e K Kanal (mais um «k» e estariam a envergar capuzes brancos), uma colecção para os mais novos intitulada «Kids Colection»… porque, enfim, «coletion» não ficaria bem, não é verdade?

Como com qualquer livro ostentando o símbolo da Porto Editora, estas «Book Gift(s)» são, se possível, de evitar, de boicotar, não comprar. Nem dadas!)

[Transcrição integral de texto de Octávio dos Santos no blog Octanas, 09.12.2012]

[Imagem daqui. (Há mais um título, mas nesta página preservamos a liberdade de não ter de ler em acordês.)]

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7 comentários

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    • Jaime Branco on 10 Dezembro, 2012 at 19:27
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    Subscrevo integralmente o que escreveu Octávio dos Santos. O AO é uma vergonha portuguesa e um acto de cobardia inqualificável, em favor de interesses da Língua Portuguesa… Qual Língua Portuguesa? A que é mudada nos gabinetes ministeriais de Portugal e Brasil? Moçambique e Angola têm dado lições de prudência, merecem a nossa admiração, pois… se escolheram o idioma Português, é esse que querem falar e espalhar por todo o seu Povo. No Brasil já começou a contestação e, vendo as notícias, parece que só entra em vigor em 2016 e não em 2013, como estava previsto! O “pateta” português que decidiu sem consultar o Povo Português…obrigou a substituir todos os livros escolares logo em Janeiro deste ano (2012), os livros de 2011 já são “arcaicos” !!! Se o Brasil adiar, como tudo indica, Portugal será o único país inflexível na aplicação na sua própria Língua! Espantoso…

    • Hugo X. Paiva on 11 Dezembro, 2012 at 1:38
    • Responder

    Quem ouviu Fatima Ferreira no seu programa em que foi tema a língua Portuguesa, ouviu-a dizer que precisava de dicionario para ler Camilo Castelo Branco. Disse tambem que “o Português está hoje entre as primeiras línguas do mundo como nunca esteve”.Depreendo (sem acreditar) que a Doutora não estudou Português nem Historia. Acredito no entanto que da Língua Portuguesa tenha estudado cadeiras extracurriculares.
    Ouviu-se tambem Isaías Teixeira (LEYA editores) dizer, pelo menos oito vezes, “e- learning”. No meu tempo de estudante, faz 40 anos, dizia-se Telescola. Já sei que o termo não reflecte a realidade dos dias de hoje,mas, soa melhor.
    Soa melhor, e pode servir de princípio para a criação de novos termos que sirvam os designios da actualidade, respeitando a filologia da nossa língua.
    Pedro Reis (AICEP) presenteou-nos, nababamente, com um “sponsorizado” e um “temos um inteligence”.
    Maria de Lurdes Rodrigues com: …preservação da qualidade do Português, o Brasil pode ganhar em número, Portugal pode ganhar pela qualidade”. Se não tivesse dito mais nada eu teria percebido,mas não se segurou e aterrou em venia ao “AO”.
    Não vou falar do resto das calinadas, como 17 por cento do PIB, ou “se a rede for grande a qualidade do sinal chegará” ou ainda a paranoia da fusão ao Castelhano.
    Destaco com obra feita, o trabalho que a Fundação Aga Khan e o Sr.Nazm Amad têm feito em Moçambique em prol da educaçao.Alguma coisa se haveria de aproveitar desta seca.Parabéns ao Sr. Amad, pela paciencia,e pelo trabalho!

  1. Não há que se admirar, Octávio: a Porto Editora sabe perfeitamente que com o Aborto ortográfico o “portugalês” acabou, e o que conta agora é o “brasilês” e o inglês.
    GLOSSÁRIO: “portugalês” = língua portuguesa tal como é falada e escrita em Portugal; “brasilês” = língua portuguesa tal como é falada e escrita no Brasil.

  2. A ser assim, António, prefiro passar a escrever e a falar unicamente em inglês… ao menos mantêm-se todos os «c’s» e «p’s»! 😉

    • Pedro Marques on 12 Dezembro, 2012 at 20:18
    • Responder

    Hugo Paiva a introdução de palavras em Inglês sem sentido é vergar-nos à nossa língua e é uma forma de perdermos aquilo que é nosso. A falta de promoção pela língua nas escolas, não falo naquilo que os professores ensinaram ao longo de 30 anos que até pode ser de muita qualidade, quem sou eu para questionar. Mas estava a dizer que isso afectou o gosto pela língua, pelas palavras, o interesse em aprender a escrever e a falar melhor, por isso é que existe essa mixórdia na internet e nas mensagens, e hoje muita gente não se importa com este acordo.

    • Hugo X. Paiva on 13 Dezembro, 2012 at 3:58
    • Responder

    Pedro: encaixa no que eu já chamei, e chamo, culto da imbecilidade.

    • Pedro Marques on 13 Dezembro, 2012 at 13:08
    • Responder

    Nem mais. Por isso é que este governo não quer mexer no acordo, e está a dar cabo do ensino.

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