Bechara, um mentiroso compulsivo!

Evanildo Bechara é imortal. Desde 2000, ocupa a cadeira de número 33 da Academia Brasileira de Letras. Mas, aos 84 anos, mantém – com o vigor do menino que, aos 11, órfão de pai, saiu de Recife rumo ao Rio de Janeiro para completar seus estudos na casa de um tio-avô – dois hábitos inabaláveis: andar de ônibus e almoçar diariamente no Toledo, restaurante por quilo vizinho de frente à Casa de Machado de Assis, no centro do Rio de Janeiro, só para ouvir histórias da vida real.

Guilherme Gonçalves/ABL/Divulgação

‘A língua não se concentra na norma padrão nem na coloquial. Ela permite as variações‘, diz Bechara.~

Hoje autoridade máxima no Brasil quando o assunto é o novo acordo ortográfico, ele – que é autor da Moderna Gramática Brasileira – se prepara para celebrar o fim do trema: “Tiramos um peso dos ombros de quem escreve. Longe de ser um prejuízo, é um lucro”.

A partir de 1º de janeiro de 2013, além do trema, também se vão o acento agudo de “ideia” e o circunflexo de “voo” e “enjoo”. O alfabeto passará a ter 26 letras, ao incorporar “k”, “w” e “y”.

A data marca a entrada definitiva no Brasil da nova ortografia da Língua Portuguesa – cujas normas foram organizadas pela ABL na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

As regras não são novas. Estão em vigor desde janeiro de 2009 [Mentira: isso foi só no Brasil], quando o Brasil e os demais membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste – concordaram [Mentira: isso foi só a assinatura do AO em 1990] em uniformizar a grafia das palavras [Mentira: não há “uniformização” alguma].

Os brasileiros tiveram quatro anos para se adequar. Durante esse período, tanto a grafia anterior como a nova foram aceitas oficialmente. Mas, a partir de ano que vem, concursos e provas escolares passam a cobrar o uso correto da nova ortografia. Documentos e publicações também deverão circular adaptados às novas regras.

O Brasil, diz Bechara, está preparado para receber as novas regras em definitivo. “Para o grande público, a ortografia está ligada à memória visual. Escrevemos as palavras como as vemos escritas. Hoje, vamos ao aeroporto e já vemos a palavra voo sem aquele acento circunflexo que se usava.”

Ainda há, no entanto, muitos desencontros. Às vésperas de o acordo entrar em vigor, a senadora Ana Amélia propôs que o Brasil avance mais devagar na sua implantação. Ela é autora de um projeto que estende por mais seis anos, até o fim de 2019, o período de adaptação das novas regras. Como a proposta ainda está parada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa e não há tempo hábil para a tramitação, a senadora pediu audiência com Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, para tratar do assunto. O pedido ainda está sem resposta.

Em Portugal, que tem até dezembro de 2014 [Mentira: o prazo é 31.12.2015, cf. n.º 2 da RAR 35/2008] para concluir o processo de implantação da nova grafia, a resistência ao acordo é ainda maior. A polêmica se intensificou depois que o poeta Vasco Graça Moura, ao assumir o cargo de diretor do Centro Cultural de Belém – uma das mais importantes instituições culturais do país -, determinou que fosse suspensa a aplicação das novas regras nos serviços sob sua tutela. Circula também na internet uma petição [Mentira: não é uma “petição”, é uma ILC (e não circula apenas na Internet)] para que o parlamento português vote o fim do acordo. “É claro que sabemos que toda mudança de hábito traz certa ojeriza a quem é obrigado a mudar, mas vale a pena o sacrifício. Uma língua que tem uma só ortografia [Mentira: não existe “uma só ortografia do Português, com ou sem AO90″] circula no mundo com mais facilidade”, garante Bechara.

A seguir, os melhores momentos da conversa.

A partir de 1º de janeiro passam a vigorar, definitivamente, as novas regras do acordo ortográfico. O Brasil está pronto para ele?
Ortografia é só a vestimenta das palavras. Quando se faz um acordo ortográfico, não se mexe na língua, se mexe apenas na roupagem das palavras. Desde 1911, Brasil e Portugal tentam aproximar seus sistemas de grafar palavras [Mentira: as tentativas foram apenas do lado português]. Tivemos quatro anos para nos adaptar e eles foram suficientes. Principalmente, graças à imprensa, que abraçou o novo sistema.

O acordo se efetivou?
Sim, porque a ortografia, para o grande público, está ligada à memória visual [Mentira: não é só a isso que a ortografia “está ligada”]. Escrevemos as palavras como as vemos escritas. [Mentira: não copiamos o erro] Como a imprensa e os livros começaram a usar o sistema desde o primeiro ano, as novas grafias das palavras começaram a aparecer. Hoje, vamos ao aeroporto e já vemos a palavra “voo” sem aquele acento circunflexo que se usava. As pessoas vão vendo as palavras sem acento e, na hora de grafar, escrevem sem acento. [Mentira: isso serão apenas ALGUMAS pessoas.] Isso permitiu que o acordo fosse, aos poucos, sendo dominado pelo público em geral. [Mentira: “público em geral” não é medida de nada.].

O que muda, essencialmente, a partir do ano que vem?
Mudam poucas coisas e, nessas mudanças, o Brasil teve de ceder muito mais do que Portugal [Mentira: 1,6% é mais do triplo de 0,5%. Dos seus hábitos de escrita, os portugueses só foram obrigados a abandonar a consoante não articulada, aquela que se escreve, mas não se pronuncia. No novo sistema, o que não se pronuncia não se escreve. [Mentira: “oje, isteria, omem” etc.]

Mas muitos dizem que as palavras mudaram mais em Portugal.
Quando pegamos em números, as mudanças para os brasileiros, de fato, são quase insignificantes: a norma escrita teve 0,43% de suas palavras mudadas. Em Portugal, 1,42%. Por quê? Porque Portugal usa e abusa [Mentira (e arrogância de Bechara): Portugal é um país soberano.] das consoantes que se escrevem, mas não se pronunciam.

E nós vamos conseguir viver sem o trema?
Começamos a aprender a língua pelo ouvido, quando crianças. Depois, aprendemos pelos olhos, porque lemos as palavras. O sistema fonético é anterior ao sistema gráfica [sic]. Ao abolir o trema, tiramos um peso dos ombros de quem escreve. A falta do trema, longe de ser um prejuízo, é um lucro. Deixamos de escrever o trema, mas podemos pronunciar as palavras da maneira como estamos acostumados a ouvi-las.

Quais são os benefícios do novo acordo para o Brasil?
O benefício do novo acordo não é só para o Brasil. Quando o sistema ortográfico começou a ser estudado, a preocupação era apenas facilitar a escrita [Mentira], portanto o movimento de simplificação ortográfica [Mentira: não houve “movimento” algum] ajudava a pedagogia da língua [Mentira]. Há também um fator de maturidade [Mentira]. Uma língua não pode ter duas ortografias oficiais [Mentira: ver os casos do Inglês, do Francês e do Castelhano] – como acontece hoje, em que temos a do Brasil e a de Portugal. [Verdade, para variar: continuamos a ter duas ortografias, de facto, apesar do AO90.]

O fator comercial também foi levado em consideração?
Claro. O valor econômico e político da língua foi um dado importante para a unificação ortográfica. [Mentira: isso foi só para a feitura do AO90, não houve nem haverá “unificação” alguma.] Em qualquer área em que seja usada, tanto no Brasil, como em Portugal ou na África, a língua portuguesa será grafada de uma só maneira [Mentira: de novo a mesma patranha, ver acima]. Isso significa que um livro editado em português pode correr todos esses países, porque a ortografia é a mesma [Mentira, mentira, mentira (idem)].

Mesmo com as diferenças sendo tão pequenas?
Mesmo que pequenas [Mentira], as diferenças entre o português escrito no Brasil e o de Portugal fazem com que um livro publicado no Brasil seja reeditado nos outros países de língua portuguesa para poder ser comercializado [Mentira]. Isso aumenta o custo da produção [Mentira]. Uma ortografia unificada só serve para dar lucro.

Vale a pena.
É claro que sabemos que toda mudança de hábito traz certa ojeriza a quem é obrigado a mudar, mas vale a pena o sacrifício [Mentira]. Uma língua que tem uma só ortografia circula no mundo com mais facilidade [Mentira]. Repercute não só no comércio da língua, mas também em sua qualidade cultural [Mentira].

Mesmo assim, o acordo não é unanimidade. No Senado, por exemplo, há um movimento que propõe que o Brasil avance mais devagar na implantação das novas regras.
Esse movimento do Senado gorou [Mentira]. Na visão da Academia, esse assunto está encerrado desde que o acordo foi assinado [Mentira]. Se o movimento que quer brecar a entrada definitiva do acordo avançar, o que acredito não ser possível pela falta de tempo [Mentira], o sistema começará a ser desacreditado. Qualquer mudança só seria aconselhável depois que ele entrasse em vigor.

Portugal tem até o final de 2014 [Mentira: 31.12.2015, ver acima.] para se adaptar às novas regras, mas lá o acordo ainda enfrenta muita resistência.
Um dos grandes inimigos do acordo é o poeta Vasco Graça Moura, mas a discordância só está nos jornais. [Mentira: todas as sondagens dizem o contrário.] Há uma grande corrente da imprensa que já usa o acordo [Mentira], mas existe uma minoria que prefere não usar [Mentira]. É só isso [Mentira].

Paralelamente à simplificação da ortografia, há um movimento em defesa do uso coloquial da língua em detrimento da norma culta. Na última prova do Enem, algumas questões trouxeram, em seus enunciados, o uso oral, mas foi exigida a norma padrão na redação. O que o senhor acha disso?
A língua se apresenta muito variada para atender os compromissos do homem erudito, da pessoa escolarizada e também do analfabeto. Todos se servem da língua para a comunicação. A língua não se concentra nem na norma padrão, nem na norma coloquial. Ela permite as variações. A língua padrão não é contra a coloquial e vice-versa. Já em uma prova do Enem, na qual se busca saber a competência de um jovem que passou tantos anos na escola, a preocupação não deve ser a língua coloquial, mas, sim, a padrão.

Ver também um “post” anterior em que o mesmo Bechara demonstra de forma igualmente espectacular a sua patologia (os mentirosos compulsivos sofrem de uma patologia clínica comprovada), com o título ”O ACORDO ORTOGRÁFICO É MAIS DIFÍCIL PARA OS BRASILEIROS DO QUE PARA OS PORTUGUESES”.

[Transcrição integral (anotada) de entrevista publicada no jornal brasileiro “Estadão” em 12.11.12. “Links”, destaques, sublinhados e anotações de nossa autoria.]

[“Disclaimer”: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]

[Imagem (recorte) do “blog” Fut Notas.]

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30 comentários

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  1. Que fixação a do Bichara com o aeroporto e com o vôo [só para o contrariar]! O cara deve ser urubu, pôxa!
    Cumpts.

    • Rui Valente on 14 Novembro, 2012 at 18:19
    • Responder

    “O sistema fonético é anterior ao sistema gráfico. Deixamos de escrever o trema, mas podemos pronunciar as palavras da maneira como estamos acostumados a ouvi-las.”
    MENTIRA, os dois sistemas não são estanques e influenciam-se mutuamente. Portugal aboliu o trema antes do Brasil e em pouco tempo “sequestro” passou a pronunciar-se de maneira diferente nos dois países (secuestro no Brasil, sekestro em Portugal).

    O mesmo se aplica a as palavras afectadas pela supressão de consoantes mudas: a sua pronúncia mudará.

  2. Até dói ler tanto disparate…!!!

    • Hugo X. Paiva on 14 Novembro, 2012 at 18:52
    • Responder

    Um País com 190 línguas, o Brasil deveria dar mais atenção à sua conservação.A haver língua Brasileira terão que haver LÍNGUAS BRASILEIRAS.O *Brazil não tem o direito de pegar na minha língua, servir-se dela como melhor lhe convier e depois forçar-me a aceitar que integre os seus desvaneios na Língua Portuguesa.

    *A escrita de Brasil com Z, é intencional.

    Se o Brasil necessita de uma língua internacional Portugal tem-na “Há Seculos”:a Língua Portuguesa. Se o Brasil quer adulterar a língua, que o faça por sua conta e risco,mas não lhe chame Português, chame-lhe crioulo Brasileiro.

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/02/090219_atlas_linguas_aw.shtml

  3. Valha-nos a “Mentira” a negrito para desanuviar de tanta “bêstêra”.

    • Luís Ferreira on 14 Novembro, 2012 at 21:38
    • Responder

    Pacheco Pereira saberá que uma petição tem um impacto semelhante ao do mosquito que colide com a viseira de um capacete. Porque fala ele de petição, se devia falar de ILC?

    http://abrupto.blogspot.pt/2012/11/peticoes-contra-o-acordo-ortografico.html

    1. @Luís Ferreira e @Hugo Paiva, isso até foi mesmo uma excelente ideia e nada como ter paciência de chinês para a levar a cabo. Percorri todas as páginas de “assinaturas” daquela petição, uma a uma (havia 1779 “assinaturas”, a 20 por página), e localizei todos os apelidos “Pereira”. Com “José” e “Pacheco” no nome não encontrei nenhum “Pereira”.

    • Hugo X. Paiva on 14 Novembro, 2012 at 23:01
    • Responder

    Se ele diz que assina por baixo, esperemos para ver.

    • Maria Miguel on 15 Novembro, 2012 at 0:09
    • Responder

    Penso que posso colar aqui o texto do Dr. Pacheco Pereira. É só para analisarmos o tempo verbal. “Assino” está no Presente do Indicativo. Ora, se a acção tivesse sido realizada o verbo estaria, forçosamente, no Pretérito Perfeito. “Assinei”.

    “PETIÇÕES CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO
    Há várias, mas uma defende um referendo sobre o Acordo, o que me parece bem. Democratizava a discussão do Acordo, que mexe em matérias que têm a ver com a nossa identidade e com sua percepção colectiva, e desbloqueava a inércia que vai permitindo que um Acordo que ninguém deseja faça um caminho perverso pela indiferença de uns e a revolta de outros. E como é uma matéria de consciência e identidade, justifica-se”
    “um Referendo sobre a adopção do Acordo Ortográfico! (…) A Língua é a nossa pátria. Figuras como o Padre António Vieira e Fernando Pessoa defendiam esta concepção. A nossa Língua pertence-nos, a todos Nós, cidadãos portugueses, e não a uma deliberação governamental. E a Nós compete-nos cuidar dela. (…) A Nossa Língua é parte da Nossa identidade. “
    Assino por baixo.

    • Pedro Marques on 15 Novembro, 2012 at 2:05
    • Responder

    Se estão tantos dialectos ou línguas em extinsão, o que é que andam eles a fazer com a nossa língua, em vez de perderem tempo com o que deviam?

    • Hugo X. Paiva on 15 Novembro, 2012 at 4:48
    • Responder

    Na ultima intervenção de Miguel de Sousa Tavares na SIC, ele foi engasgado pela locutora.
    Um tal documento que foi redigido em brutuguês/acordês.Primeiro foi o ataque ao Mito, agora querem obliterar a realidade.Mas isto não surpreende ninguem.Aguenta-te Miguel.

  4. 1779 assinaturas? Isso dá para quê?

    1. @Bic Laranja, nem que fossem 1000 vezes mais as “assinaturas” isso daria fosse para o que fosse. Em primeiro lugar porque não são assinaturas, são uns cliks nuns botões e uns dados que ninguém confere porque a conferência é impossível, e em segundo lugar porque não apenas as petições estão totalmente desvalorizadas pela sua extrema vulgarização como também, neste caso concreto, o objecto da dita é legalmente tão impossível como a conferência de “assinaturas” que o não são: um Tratado internacional apenas pode ser referendado “a priori”, não depois de assinado por representantes de vários Estados soberanos (mandatados para tal por referendo prévio ou, não tendo existido este, pelos respectivos órgãos de poder).

      Acresce que jamais em Portugal um referendo teve efeitos vinculativos (50% + 1 dos eleitores inscritos), o que certamente não iria suceder, por maioria de razões num país com largas faixas de analfabetismo(s), caso incidisse sobre uma matéria tão “esotérica” como a Ortografia.

    • Jorge Teixeira on 15 Novembro, 2012 at 12:14
    • Responder

    Há um exemplo que serve bem para exemplificar os resultados que produz a insistência destes senhores a ensinar de acordo com estas teorias. Desculpem-me a vulgaridade do mesmo, mas é exemplificativo. O erro ortográfico dado por Brasileiros mais comum na internet: escrevem “foda”, mas também “fuder” e “fudido”. Como estas teorias insistem em “escrever de ouvido” é o resultado que produzem: o analfabetismo funcional.

    • Maria José Abranches on 15 Novembro, 2012 at 23:57
    • Responder

    Esta sumidade continua insistentemente a exibir a desonestidade intelectual e a falta de rigor científico que presidiram à elaboração deste AO90, bem como à sua promoção e imposição. Este discurso é um descarado atestado de estupidez passado aos portugueses, mas … há quem aprecie, pelos vistos!
    Numa coisa Bechara tem razão: este Acordo, com a sua pretensa “unificação”, foi forjado para servir o “comércio da língua”, já que “uma ortografia unificada só serve para dar lucro”. A quem? Adivinhem!
    Por tudo isto, penso que não basta rebater estas insanidades, com argumentos válidos. É de facto de política que se trata, pelo que terá de ser no campo da política que teremos de agir. Todos os partidos e políticos em quem temos andado a votar nas últimas décadas nos traíram, calando-se, negociando nas nossas costas, impedindo o debate, a informação, surdos aos pareceres dos especialistas e ao sentimento da maioria dos portugueses. Há pois que confrontá-los de vez com a realidade: ou tomam posição “já” contra o AO90 ou escusam de contar com os nossos votos! E isto em todas as eleições: autárquicas, legislativas, presidenciais. Sugiro que votemos “nulo”, com a inscrição “Não queremos o Acordo Ortográfico de 1990!”
    E também seria bom que começassem a aparecer cartazes contra o Acordo nas manifestações que vão tendo lugar pelo país. É preciso que “se veja” que há oposição decidida e firme.
    E continuemos também a recolher assinaturas para a nossa ILC: quase todos os dias encontro alguém que é contra o AO90 e que ainda não sabe desta iniciativa cidadã!

  5. @ Jorge Teixeira
    Escrever de ouvido é marca de analfabetismo onde quere que seja. Contudo o exemplo desse tabuísmo tem muito mais valor do que a atenção que tem merecido.

    Não tenho aqui prova, mas parece-me verosímil que tal vocábulo, de tão antigo e vernáculo, haja aportado ao Brasil logo logo nos alvores de 1500. E é notável que hoje se lá pronuncie de maneira tão caracterìsticamente portuguesa, com metafonia plena e cabal no timbre do radical «fo-» quando a sílaba tónica avança pela declinação verbal. O mesmo não sucedeu com o verbo «comer», note-se, que os brasileiros entoam àtonamente mais com «o» fechado, e menos como «u». Ora deste caso tiro que é falso que o português no tempo de Camões soasse mais como o brasileiro do que como o português de hoje. Pois se a metafonia é tão notória no português vernáculo, como poderiam os nossos antepassados ter andado a martelar sílabas à brasileira até ao séc. XVIII e só nas vésperas do Ipiranga dessem em subir o tom das vogais átonas?! Porém é vulgar ouvir e ver-se escrito — que a entoação d’ Os Lusíadas por brasileiros, hoje, é històricamente mais rigorosa com o português de Camões do que a dos portugueses. Mais uma mentira a amesquinar o idioma dos portugueses, enfim!…

    Portanto, se a metafonia existe, notória, no exemplo dado, ela deve-se à cristalização da oralidadade primordial dos portugueses que aportaram ao Brasil reforçada pela raridade (se não ausência) do seu registo escrito, que jamais contaminou a pronúncia aprendida. O grosso analfabetismo por terras de Sancta Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil também ajudou, pois. E o erro em que caem os brasileiros ao escrever o palavrão nos nossos dias decorre de o dizerem como outrora lá chegou, sem mais, e de o génio do idioma português lhes ser, contudo, estranho. Como deixaram de captar a metafonia, essência viva e ancestral no nosso idioma (*) mas não já do seu, não conseguem agora, por fim, entender já a oralidade dos portugueses; acontece-lhes o mesmo que aos espanhóis que se perdem na complexidade e variedade vocálica do português. O génio da língua do Brasil não é, por conseguinte, o do português; divergiu e deu noutra coisa, e o exemplo dado comprova-o. Legendar o «Equador» ou as entrevistas do Saramago são a consequência e, sem tornar a dar a ouvir aos brasileiros como soa o português, jamais se atalhará a este processo de divergência. É nesse caminho que estamos. O estúpido e querido «acordo» do Bichara é mais inútil ainda do que por tão só querer elidir a História; ele assoma-se a contrariar o futuro.

    Cumpts.

    (*) Mereceria estudo até que ponto isto existiu no galego antigo (ou rural, se ainda existe) para estabelecer se é ou não fenómeno dos falares do Sul. O galego moderno está contaminado pelo castelhano, não se presta ao caso.

  6. Errata:
    …do que por portugueses [fim do 2.º parágrafo].
    Legendar o «Equador» ou as entrevistas do Saramago é a consequência… [fim do 3.º parágrafo].

  7. Embora a ILC tenha um carácter mais vinculativo e consequentemente efectivo, penso que qualquer outra iniciativa e/ou mobilização de cidadãos no sentido de impugnar esta aberração não é de menosprezar. Assinarei tudo para esse efeito.

    1. O problema é se, como no caso, uma petição completamente inútil para uma finalidade absolutamente impossível serve apenas para desmobilizar cidadãos da única iniciativa de carácter vinculativo e consequentemente efectivo que existe e que é, evidentemente, esta ILC. Não se trata de menosprezo, trata-se de constatar um facto.

    • Hugo X. Paiva on 16 Novembro, 2012 at 21:00
    • Responder

    JPG:Chama-se a isso uma boa administração de energias.Para captar mais energia, há que divulgar,divulgar,divulgar, seja onde seja, qualquer que seja a forma, uma vez que a função está bem defenida.

    Eu gostaria de dizer que penso, numa hipotética hipotse de esta coisa vigorar,que levando em consideração a transformação crioulista que o Português, teve, tem e terá no Brasil,dentro de 10 a 15 anos estaremos ás voltas com mais um pesadelo, sendo que desta vez será ainda maior.O Português tem que ter padrão establecido com as mesmas bases com que se estabelece quaquer outra matéria do ramo da ciência, com a sua evolução a ser acompanhada por todas as partes afectas,e com provas dadas e reconhecidas no conhecimento da matéria.Incluo neste grupo todas as Faculdades(todo o ensino superior) conhecidas e em funcionamento,e outras, que não o sendo apresentem matéria plausivel. Creio que se deve começar a pensar em criar um Conservatório da Língua Portuguesa, e mandar uma medalha de cortiça à Academia das Ciências.

    • Hugo X. Paiva on 16 Novembro, 2012 at 23:07
    • Responder

    II. MÉRITO.
    Três imputações de ilegalidade foram trazidas na
    exordial, todas exigindo análise de mérito, este que sinteticamente pode ser
    descrito como verificação de ilegalidade na implementação do Acordo
    Ortográfico da Língua Portuguesa por força do Decreto nº 6.586, de 29 de
    setembro de 2008. Assim, foram apontadas:
    1) Existência de ilegalidade em decorrência da violação,
    por parte da ABL, das regras técnicas estabelecidas e pactuadas com todos os
    Estados signatários, aquelas que foram capituladas nas chamadas “Bases do
    Acordo”, em documento supervenientemente aprovado por Decreto Legislativo;
    2) Existência de ilegalidade em decorrência de violação ao
    Princípio Democrático pela usurpação do Direito de Participação de diversas
    entidades representativas da sociedade brasileira, legitimadas, aptas e
    necessariamente interessadas a na construção da Reforma Ortográfica da
    Língua Portuguesa;
    3) Existência de ilegalidade na violação à finalidade e
    motivos do grandioso projeto internacional de Reforma Ortográfica,
    desvirtuando-se o Acordo de 1990, severamente esvaziado em decorrência da
    não elaboração de um Vocabulário Ortográfico Comum da Língua.

    http://www.acordarmelhor.com.br/novo/images/replica-das-contestacoes.pdf

    • Pedro Marques on 17 Novembro, 2012 at 0:10
    • Responder

    Mas JPC o Avaaz não faria com que mais pessoas aderissem, e se elevasse mais esta luta?

    1. Bem, Caro @Pedro Marques, já se tentou de tudo, incluindo plataformas como essa que refere (e por acaso desconhecia esta, tantas elas são); não me parece que seja por aí mas tudo bem, é claro, nada impede seja quem for de divulgar a iniciativa pelos meios que entender; não é necessário nem obrigatório que sejamos nós mesmos a fazê-lo sempre e em rigoroso exclusivo, como é evidente. Obrigado pela sugestão, no entanto.

  8. JPG: Realmente é capaz de ter razão, será um desperdício de esforços a julgar por isto:
    http://expresso.sapo.pt/adesoes-de-arafat-obama-e-ronaldo-poem-em-duvida-peticoes-ionlinei=f767797?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

    1. Obrigado pelo “link”. Acabo de o reproduzir em todos os nossos “murais” do Facebook.

    • Bruno Lopez on 18 Novembro, 2012 at 1:33
    • Responder

    Na ultima estatística que apareceu na comunicação social(que tinha por base um léxico mais vasto incluindo também termos de linguagem científica) as percentagens de alterações eram de 4% para Portugal e 0,4 para o Brasil.

    1. Caro @Bruno Lopez, pois é claro que os números variam consoante o material em análise. No entanto, as percentagens médias de afectação geralmente aceites (e que coincidem com as resultantes de um estudo por nós mesmos efectuado em 2009, o qual deverá ter sido o primeiro do género, aliás) são de 1,6% e 0,45%, respectivamente, para o Pt-Pt e para o Pt-Br. Claro que esta quantificação estatística é tão estúpida como dizer-se, por exemplo, que se um de dois seres humanos tem um frango assado para comer então, portanto, cada um desses dois seres humanos tem à sua disposição meio frango assado, mas de qualquer forma haveria sempre que de alguma forma verificar o assunto e constatar se o “argumento” acordista tem ou não alguma sustentação. Neste caso (e por mero acaso) até tem mesmo, para variar… mas isso não interessa para nada, na prática. As palavras não são como chouriças num fumeiro, não são coisas que se possam contar mas são coisas com que se pode e deve contar… se ou quando intactas.

    • Pedro Marques on 18 Novembro, 2012 at 20:49
    • Responder

    JPC é que eu cada vez que subscrevo nessa petição, vejo sempre inúmeras pessoas a susbcreverem ao mesmo tempo, e talvez pudesse ajudar. Só por isso. E eu posso fazer. Desde que seja para acabar com este disparate.

  9. É muito importante escrever português corretamente. Nesta frase não há qualquer gralha, pois será assim que, no ano letivo que agora começa, deves escrever a palavra “corretamente” – sem a letra “c” a anteceder a letra “t”. Porquê alterar o que existe? O novo acordo ortográfico privilegia a fonética, ou seja, a forma como as palavras se pronunciam, aproximando por isso a língua escrita da língua falada. É por isso que desaparecem as consoantes que não se leem (habitualmente designadas consoantes mudas), como neste exemplo.

    • Hugo X. Paiva on 4 Dezembro, 2012 at 19:54
    • Responder

    O Sr./a. @ #29 entrou aqui com pés de barro.Aqui fala-se e escreve-ve Português,não se fala nem escreve crioulo.O novo “nado morto ortografico” priviligia a pobreza de espirito, quem não entende isso não está em posição de opinar sobre Português ou qualquer outra língua.(Ing.= correctly;Esp.=correctamente;Fra=correctement.)

    Por conseguinte guarde o crioulo para si e para os seus correligionários:

    http://nossalinguabrasileira.wordpress.com/

  1. […] Evanildo Bechara, para defender o AO90, prescinde de ser linguista e nada diz ao senso comum, acumulando vários dislates numa entrevista ao Estadão. Citarei e comentarei alguns deles, porque a entrevista está exaustivamente analisada aqui. […]

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