Manuel Luís de Bragança subscreveu a ILC

Manuel Luís de Bragança

Manuel Luís Caupers de Bragança nasceu em Lisboa em 1956 e vive em Cascais.

Sendo filho do escritor Nuno Bragança, falecido em 1985, colaborou com a editora D. Quixote (grupo Leya) aquando da re-edição da sua Obra Completa em 2009, ano em que faria 80 anos.

Foi um dos promotores e co-autores, no ano 2000, do manifesto de oposição à construção do elevador do Castelo de S. Jorge, naquilo que terá sido um dos primeiros movimentos de cidadãos utilizando a Internet como meio de comunicação em Portugal, o que contribuiu decisivamente para a sua divulgação junto da opinião pública.

Sobre a ILC contra o “acordo ortográfico”, diz: «não sendo eu uma figura pública nem filiado em nenhum partido político, é na qualidade de cidadão de Portugal que tenho todo o orgulho em participar na vossa brilhante iniciativa.»

Sobre o dito “acordo”, a sua posição está claramente expressa numa carta que enviou ao semanário Expresso e que, refere o próprio, foi publicada hoje mesmo (dia 12), “como sendo de minha autoria mas difere substancialmente do original por mim enviado”

Pois assim sendo, é com imensa honra que aqui transcrevemos essa mesma carta na íntegra e absolutamente conforme o original.

O Expresso e o acordo ortográfico

Desde que o Expresso optou por publicar conforme o acordo ortográfico adoptado pela famigerada Resolução da Assembleia da República n.º35/2008 que quem se recusa a escrever assim no semanário é considerado proscrito, ferrado com nota de pé de página, referido como sendo alguém que “escreve de acordo com a antiga ortografia”.
Ora isto tem-me provocado uma azia crescente, uma má-disposição que se vem instalando semanalmente de forma insidiosa, contribuindo de forma decisiva para reduzir substancialmente a relativa boa disposição que deveria acompanhar a chegada do fim de semana. Por isso resolvi escrever esta carta. É que não só a nota de pé de página pretende discriminar de forma assaz depreciativa os autores dos textos, e refiro-me por exemplo ao José Cutileiro, à Inês Pedrosa e ao Miguel Sousa Tavares, como é absolutamente desnecessária: basta lê-los para se perceber de imediato que são escritos de acordo com a ortografia actual e correcta. Por outro lado, o frenesim modernista que acometeu o Expresso na adopção do referido acordo também potencia situações ridículas como a notícia escrita pelo Alexandre Costa sobre o Neues Museum publicada na página 7 do suplemento Actual da edição de 29 de Janeiro último. Aí, se por um lado se pode ler “O Egito está a reclamar a devolução do busto da rainha Nefertiti (1370-1330) a.C.)” logo adiante na mesma micro notícia lê-se: “pelo professor Ludwig Borchardt do Instituto Imperial Alemão das Ciências Egípcias da Antiguidade “. Então em que ficamos? Tira-se o p ao Egito e mantém-se o p nos egípcios? Não basta a salganhada que por lá vai para ainda por cima o Expresso contribuir para uma crise de identidade daquele povo?

Manuel Luís de Bragança

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor.

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2 comentários

  1. Não é extraordinário que o saco de plástico passe a publicar-se em brasileiro que quem escreva reclamando disso veja o seu texto publicado substancialmente diferente do original?!…
    Cumpts.

  2. “… e que quem escreva reclamando…” digo.
    Cumpts.

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