É mentiroso e é coxo

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 1990, aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 26/91 e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 43/91, ambos de 23 de Agosto, simplifica e sistematiza vários aspectos da ortografia e elimina algumas excepções ortográficas, garantindo uma maior harmonização ortográfica.

O Acordo Ortográfico visa dois objectivos: reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional e garantir uma maior harmonização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

[Extractos da “Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011“, de 25 de Janeiro.]

1. «maior harmonização ortográfica»
Não há grande “harmonização” quando existem pelo menos 69.000 duplas grafias no VOP.

2. «elimina algumas excepções ortográficas»
Mas cria muitas outras duplas grafias que até agora não existiam. Apenas alguns exemplos:

3. «reforçar a língua portuguesa como língua de comunicação internacional»
Em que versão de “língua unificada”, a portuguesa ou a brasileira? ‎

Nota 1: os números de totais resultantes de cada pesquisa podem variar ligeiramente, dependendo de uma série de factores técnicos.
Nota 2: a base-de-dados VOP/ILTEC/PLP está em processo de fabrico, por assim dizer; ou seja, os resultados das pesquisas aumentarão certamente com o tempo, tanto em número absoluto de resultados como em número de erros absolutos.

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5 comentários

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  1. Eu vi lá adoptar como sendo brasileiro. Aquilo não está cheio de erros?
    Cumpts.

  2. E ‘eléctrico’, português Brasil?!!
    Será que o Brasil já escrevia assim ou usurpou-nos totalmente língua, passando-nos o sotaque?
    Cumpts.

  3. Claro que aquilo está cheio de erros. Aliás, o nosso trabalho de sapa tem sido aproveitado pelos diligentes funcionários para ir tapando uns buracos…

    Mas as duplas grafias (as que já existiam e as que o AO90 inventou, novinhas em folha) lá estão todas, a rondar os 68.000 lemas, o que demonstra como é espectacular esta maravilhosa “língua unificada”.

    Cumprimentos.

  4. A ironia desde “desacordo ortográfico” é que não conheço pessoalmente nenhum cidadão brasileiro que alguma vez não tenha sentido orgulho de escrever em português, independentemente da sua escolha de vocábulos e da sua grafia.

    Da mesma forma, não conheço nenhum americano, canadiano, australiano, etc. que também não se orgulhem de escreverem em inglês, apesar de terem uma ortografia diferente da praticada no reino de S. Majestade a Raínha Isabel II. No meio académico, por exemplo, não conheço nenhum caso em que uma publicação de língua inglesa não aceite a ortografia britânica ou americana da mesma língua.

    Podem existir excepções, mas não as conheço.

    O “argumento” de que este “acordo ortográfico” iria “unificar” a língua baseia-se numa falácia: a de que através de um método legislativo seria possível colocar uns 260 ou mais milhões de “falantes de português” no mundo inteiro a escreverem e a falarem a mesma língua. Mas isso é completamente ridículo. Nem precisamos de ir tão longe e demonstrar que de um lado e do outro do Atlântico se fala e escreve de forma diferente. Basta constatar que dum lado e do outro do Tejo se fala um português diferente! Meros 2,5 km de separação são suficientes para existirem construções frásicas distintas e a utilização de vocábulos diferentes!

    Isso é mau? Não — é riqueza cultural. O facto de se falar português de tantas formas diferentes, com pronúncia, vocábulos, estilo, gramática e grafia distintas, só mostra que o português é uma língua viva, suficientemente rica e plástica para permitir que cada (pequeno) grupo de pessoas utilize a mesma língua para reflectir a sua própria (sub)cultura, sem que, no entanto, deixem de estar “a falar português”.

    Isto não impede que a nossa língua seja a 5ª mais falada em todo o mundo e de que todos nós consigamos ler Camões ou Machado de Assis e entendê-los — embora nenhum destes escrevesse o mesmo português que nós escrevemos

  5. Correção lista acima:
    “Brasil: afectar, afectação, afectado
    Portugal: afetar, afetação, afetado”
    O Brasil não fala nem escreve “afectar, afectação, afectado” esses “ces” não fazem parte da ortografia e pronúncia brasileira desde 1970.
    Onde quer que tenhas visto, viste errado.
    Abraço a lusofonia

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