«Este Governo não ouve ninguém»

O Sr. Presidente: — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Teresa Caeiro.

A Sr.ª Teresa Caeiro (CDS-PP): — Sr. Presidente, gostaria de começar por saudar muito vivamente os 17 300 subscritores da petição n.º 495/X (3.ª) e os 5344 subscritores da petição n.º 511/X (3.ª), revelando aqui uma extraordinária manifestação de cidadania.

Como escreveu o Prof. Adriano Moreira, «a discussão sobre a oportunidade e a validade do Acordo Ortográfico tem posto em evidência que ninguém é dono da língua, pelo que não haverá nenhum acordo que impeça evoluções desencontradas».

Mas a verdade é que o Governo socialista se considera dono da Língua Portuguesa e, pior, trata-a com desprezo. Quando o Ministro da Cultura veio ao Parlamento, concretamente à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, não considerou relevante a proposta do CDS para que se criasse uma comissão de acompanhamento relativamente à aplicação do Acordo, composta por especialistas, escritores, cientistas e historiadores, que seguisse os problemas, acompanhasse a aplicação do Acordo e propusesse as correcções necessárias.

A verdade é que estas duas petições demonstram que há inúmeras imprecisões, erros, lacunas e contradições que é necessário corrigir, demonstram que há uma preocupação nacional em corrigir estes erros antes que seja tarde demais.

Mas, infelizmente, este Governo não ouve ninguém. Não ouve ninguém nem vê que, entre os vários ministérios responsáveis, há várias velocidades e vários discursos, ninguém se entende e ninguém os entende.

(…)

Deputada Teresa Caeiro, 21 de Maio de 2009.

[Extracto do “Diário das Sessões” da Assembleia da República de 21 de Maio de 2009.]

[A transcrição acima confere rigorosamente com o original disponível na Internet, à excepção dos destaques a “bold” e dos sublinhados, que são de nossa autoria.]

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9 comentários

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  1. Irónico… Quando na oposição, o Governo não ouve ninguém e acham mal que o AO90 vá para a frente sem acompanhamento. Quando chegam eles ao Governo, “só com o AO90 é possível uma aproximação da CPLP” (parafraseando) e ainda não vi a tal “comissão de acompanhamento”…

    Será que quando alguém chega ao Governo passa irremediavelmente a sofrer de surdez congénita?

    • Alves Pereira on 4 Novembro, 2011 at 11:00
    • Responder

    autismo congénito, talvez?

    • Alves Pereira on 4 Novembro, 2011 at 11:06
    • Responder

    Para o blog: acho de gosto questionável, que nas observações se escreva “bold”… estamos ou não a defender a Língua Portuguesa? é negrito que se diz; foi com os estrangeirismos escusadamente bacocos como este, e que só servem para empobrecer a nossa Língua, que se começou a cavar a sua sepultura…

    1. O autor do “post” não é um fundamentalista bacoco e evita brasileirismos, como é o caso de “negrito”.

    • António on 5 Novembro, 2011 at 0:27
    • Responder

    Pelo que aprendi deve escrever-se correctamente em/a normando (não me recordo da preposição mais conveniente). Enfim, outros tempos, quando se escrevia typogràphicamente. Já agora fonte (supõe-se que dê àgua) em vez de tipo de letra (acho que é por isso que se escreve tipografia em não fontografia, mas enfim, é apenas uma sugestão) e manchete (supõe-se que relacionado com mão ou mancha… ou com mão manchada, manchete portanto), em vez de caixa alta, por que era na caixa mais alta da mesa do tipógrafo que estavam as letras de tamanho maior (que podiam ou não ser normandas).

  2. Estupendo esclarecimento duma arte esquecida, como tantas outras, daí a perda do seu de de memória do seu vocabulário próprio.
    Cumpts.

    • Alves Pereira on 6 Novembro, 2011 at 21:46
    • Responder

    Para JPG:
    não se amofine que não é caso disso…o que está em causa é a defesa da Língua Portuguesa, menos acautelada neste caso, que o resto são questiúnculas menores… mas, para que nos entendamos: o adjectivo não era (obviamente) para si, para para o tal estrangeirismo, e, o que eu esperava era a sua correcção que seria humildemente aceite e agradecida; assim sendo:
    Para António:
    Os meus agradecimentos por me ter enriquecido com o seu soberbo comentário, mas, dada a pobreza franciscana dos dicionários hoje disponíveis, perdoe-me pela inexactidão
    Cump. a ambos!

    1. Não “me amofinei”, até porque tenho bastante mais o que fazer. Simplesmente não aturo “lições” de Português e muito menos de portuguesismo de ninguém e por isso escrevo como me parece mais apropriado ou, quando calha, como me dá na real gana.

    • Alves Pereira on 7 Novembro, 2011 at 18:08
    • Responder

    Se quer levar a coisa para esse lado, pois assim seja!
    Cump.

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