O "acordo" nas escolas [jornal Público]

Processo gradual nas escolas

No final deste mês começam a chegar às livrarias alguns manuais escolares redigidos já com a nova grafia, estipulada no Acordo Ortográfico (AO). Mas a adopção será gradual e as editoras terão um prazo alargado – até ao ano lectivo 2014-2015 – para concluir o processo de conversão ortográfica. Isso mesmo foi acordado entre o anterior Ministério da Educação, tutelado por Isabel Alçada, e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros nas negociações para a implantação do AO no sistema de ensino.

O Conselho de Ministros aprovou, numa resolução datada de 25 de Janeiro último, a introdução da nova grafia já a partir do próximo ano lectivo, mas a capacidade de resposta do sector editorial exigiu uma aplicação progressiva. Até porque muitos livros escolares podem manter-se por um período máximo de seis anos e a sua reconversão reclamaria um elevado custo financeiro.

Os dois maiores grupos editoriais que publicam obras escolares – a Porto Editora e a Leya – confirmaram ao PÚBLICO que o processo de adopção já teve início, mas será gradual. “A aplicação do AO aos manuais escolares já começou a ser realizada pela Leya e continuará a ser feita, de forma gradual, de acordo com o calendário definido pelo Ministério da Educação”, respondeu por email Susana Almeida, do gabinete de comunicação do grupo que detém, entre outras, as chancelas da Asa, Gailivro e Texto Editores.

Paulo Gonçalves, porta-voz da Porto Editora, deu resposta semelhante, notando ainda que, nas obras lexicográficas, que já obedecem à nova ortografia, a editora optou por manter a grafia actual. “Pensámos que seria a melhor forma de abordar a mudança da ortografia”, explicou.

Questionados sobre os custos resultantes da norma ortográfica, a Leya respondeu: “Informação não disponível.”

Mas Paulo Gonçalves admitiu “um custo relevante”, embora tenha realçado que a Porto Editora “não dramatiza”. Lembrou, porém, que tiveram de financiar a formação interna dos colaboradores e a actualização dos softwares de edição. “Os custos foram suportados pela editora, sem implicação no preço final dos livros, sublinhou.

M.J.O.

[Transcrição integral de artigo publicado em 20.07.11 no jornal Público (pág. 9). (texto online disponível só para assinantes do jornal)]

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