Falta de expressão

de: Jornal Expressão jornalexpressao@esaag.pt
para: Elizabeth P G <gabas.elizabeth[at]gmail.com>

data: 22 de junho de 2011 05:29
assunto: Re: EXPRESSÃO APLICA ACORDO ORTOGRÁFICO

Cara amiga:

como coordenador do EXPRESSÃO, fico muito satisfeito pela sua participação e pela sua reacção a um tema tratado no nosso jornal escolar. Ficamos à espera de mais contribuições com a mesma frontalidade com que está a fazê-lo agora a propósito da aplicação do Acordo no nosso jornal. Quanto à opinião dos alunos, o que o estudo que publicamos provou foi que os alunos são capazes de emitir opinião sobre algo que desconhecem, o que não abona muito a favor da sua posição. Como sentem que a aplicação do acordo lhes vai criar alguns “problemas”, optam pelo que lhes dá mais jeito. Compreende-se. Sobre a decisão de pôr em prática o Acordo no nosso jornal, seguimos na esteira de outros jornais que já o fizeram, incluindo o jornal regional em que o jornal aparece como suplemento. E as leis são para se aplicar, mesmo quando não se está de acordo com elas.

Quanto à substância do Acordo, que é o que está em questão, do ponto de vista pessoal não posso estar mais contra o que a cara leitora refere:
1)A língua não está parada. Aceitaria escrever como escreviam os republicanos de 1910? Veja só as capas dos jornais desse tempo, que fica arrepiada. E sabia que quanto ao hífen a situação da grafia actual (a antiga) é completamente anárquica?
2)A grafia tem de adaptar-se à pronúncia (a escrita é fonética): sempre foi esse o princípio, não fazendo sentido manterem-se grafias muito distanciadas da pronúncia. Aliás as crianças actuais vão ter mais facilidade de aprender a escrever sem erros com a nova grafia. E os que já começaram a aprender terão 3 anos para se adaptar. Não vai ser difícil (com uma ou outra dificuldade).
3)Temos de ser práticos e deixar-nos de lamúrias. O debate sobre este Acordo (de 1990) já foi feito há 20 anos e várias outras vezes. Os acordos, por serem acordos, não contentam as partes a 100%.. E nenhuma parte ficou satisfeita a 100%. Apesar de tudo é um acordo satisfatório porque vai no caminho certo: criar uma grafia única e uma língua única e facilitar a aprendizagem dos novos alunos. Ou então que se assumam as diferentes línguas nacionais como línguas independentes. A quem é que isso interessa?

Muito obrigado pela sua colaboração.

Cumprimentos

Joaquim Igreja
(coordenador do EXPRESSÃO)

Esta transcrição foi publicada com a autorização expressa de Elizabeth P. Gabas, brasileira, médica, apoiante da ILC, e trata-se da resposta do jornal “Expressão” ao protesto por ela enviado à ESAAG (transcrito em baixo) a propósito da “adoção” do “acordo ortográfico” por aquele jornal escolar.

(email enviado ao jornal Expressão)

Maioria dos alunos 1) está contra o acordo mas 2) desconhece as suas normas…

Não lhes parece dois bons motivos para que esse absurdo DESACORDO não venha jamais a ser aplicado???

Nunca, em tempo algum os portugueses escreverão e/ou falarão como os brasileiros e vice-versa!!!

Sabem por quê???

Porquê 500 anos os separam, a Língua é viva e seguiu vertentes diferentes, mas é a mesma Língua!!!

Cada povo com um oceano ao meio a uní-los, que continue a expressar-se a seu modo!!!

Porquê isso nunca foi motivo para que não se entendessem!!!

Deixem as pobres cabecitas dos alunos, esquentarem-se por conta de problemas mais sérios e não por esse pretenso Acordo…

Tanto é, que jamais sairá do papel, por tantos erros e falhas, grotescamente elaborado como um rascunho de um filme confuso, de um diretor maluco.

No Brasil já está a ser chamado de “Samba do Crioulo Doido” e ninguém lhe está dando a menor importância: “não vai pegar” é o que se diz…

E Portugal a perder o sono para mudar a Língua que é sua…é um absurdo, alguém que veio de longe, entrar em sua casa e dizer como irão viver daqui pra frente…é tão revoltante que deve estar fazendo Fernando Pessoa, revirar-se no túmulo…

Pra não falar de Camões e de tantos outros que levaram séculos a construí-la…e de todos nós, povos que bem ou mal, têm se expressado através dela…e que a amam, pois trata-se da ***NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA***!!!

Sobre este assunto, ver “thread” (sequência) no Facebook, em 11.06.11.

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4 comentários

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  1. Ao Sr. Joaquim Igreja, coordenador do jornal EXPRESSÃO, defensor do AO90 e que afirma que “a grafia tem de adaptar-se à pronúncia (a escrita é fonética)”, sugiro a leitura da “Apologia do Desacordo Ortográfico”, de António Emiliano, onde se lê que “a escrita não é transcrição fonética e ler não é soletrar, é reconhecer palavras e sequências de palavras e delas extrair significado.”
    Se a escrita é fonética, então o senhor não sabe o que são palavras homónimas, isto é, têm a mesma pronúncia, mas escrevem-se de modo diferente por terem significados diferentes: aço/asso; apreçar/apressar; assento/acento; coser/cozer; censo/senso; concelho/conselho; concerto/conserto; nós/noz, etc…

  2. Só mais uma observação: se para o Sr. Joaquim Igreja, a escrita é fonética, então concorda que “expressão” também se pode escrever “expreção”, visto que não existe a mínima diferença a nível fonético.

  3. «Expreção», grande jornal. A ombrear com um saco de plástico que se publica aos sábados.
    Eispreção. Grande jornal.
    Cumpts.

    • Helena Pinto Marques on 1 Julho, 2011 at 23:28
    • Responder

    AHAHAHAHAH… TANTO QUEREM ESCREVER NO PORTUGUÊS DO BRASIL QUE COMETEM ERROS ATRÁS DE ERROS; MAIS VALIA QUE HONRASSEM A LÍNGUA PORTUGUESA, NOSSA PÁTRIA

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