«despertar os portugueses» – Maria José Abranches

«Fui toda a vida professora de Português (agora reformada), inclusivamente na qualidade de leitora na Universidade de Paris III, e desde 1990 que sou contra este Acordo – que li e analisei, tendo também lido muito do que sobre ele foi publicado.»
Maria José Abranches
[citação de email]

O Novo Acordo Ortográfico
Contributo para uma reflexão necessária

[excertos]

«Em Portugal – e até agora nos restantes países lusófonos – a ortografia em vigor decorre, no essencial, do Acordo Luso-Brasileiro de 1945. Parece-me que ela funciona perfeitamente, pois traduz um saudável compromisso entre a tendência etimológica, que mantém o português próximo das outras línguas românicas, e a tendência fonética, que não se pode confundir com a pura transcrição fonética da língua falada.»

«A dupla ortografia da nossa língua não impede, como não impediu até agora, nem a sua unidade, no respeito pelas suas variantes, nem a sua projecção universal, nem a sua difusão através do mundo.»

«Verificámos ser aceite por todos que – independentemente da sua unidade – a língua portuguesa tem duas normas padrão, uma americana e outra europeia, esta até agora também em uso nos países lusófonos da África e da Ásia, embora com as suas próprias variantes, o que só lhe acrescenta vida e riqueza. A dimensão universal do português está aí, reconhecida por todos – e com a ortografia dupla, o que não impede coisa nenhuma.»

«É este preconceito, ainda hoje profundamente enraizado no espírito de muitos intelectuais e políticos portugueses, que faz com que se procure dar visibilidade e universalidade à nossa língua através de “gestos espectaculares” – como esta proposta de Acordo – a milhas de distância do trabalho de gabinete e de campo que deveria ser feito.»

«Em função destas considerações, concluo que há quem esteja muito interessado e agora muito apressado na concretização deste Acordo (por questões de imperialismo, de prestígio nacional, de gloríola pessoal, de grandes lucros em perspectiva, e outras mais certamente – que não a defesa da língua portuguesa, nem da sua universalidade, que, como já vimos, não precisa deste Acordo para nada).»

[/excertos]

Estudo intitulado “O Novo Acordo Ortográfico – Contributo para uma reflexão necessária”, com data de 25 de Abril de 2008 – publicado em três partes, em três números sucessivos da “Gazeta da Beira” (16 Abril 2009 – 30 Abril 2009 – 14 Maio 2009)

[Ver texto completo deste trabalho da autoria de Maria José Abranches]

Outros trabalhos da autora

Texto de opinião: “A propósito do texto de Vasco Graça Moura, “O triunfo da Petição” (DN, 22 Abril de 2009)” – publicado na “Gazeta da Beira” (14 Maio 2009);

Texto de opinião: “Português «para inglês ver» ”, publicado no “LusoJornal” (n.º 242, 03 Fevereiro 2010) e na “Gazeta da Beira” (25 Fevereiro 2010);

Texto de opinião: “A propósito das declarações do actual Embaixador português em Paris”, publicado no “LusoJornal” (n.º 250, 31 Março 2010) e enviado para a “Gazeta da Beira”.

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2 comentários

    • De La Mancha. on 5 Julho, 2010 at 10:08
    • Responder

    A emfecção que sofre as facções Tugas sobre as pespectivas de saber detectar novas conjecturas não é de hoje.

  1. O problema não é certamente a infecção, mas a mediocridade patente. Chega de gente metida a intelectual, assim como basta de gente que acha que nada é com eles porque não são intelectuais. Ora ! Onde estão valores como orgulho, honra, respeito (por nós, pela história), dignidade?? Que sangue corre nas veias destes ditos governantes? Será que precisamos mesmo agradar todos os outros acima de nós mesmos? Podemos até ser pequenos e ridículos, mas temos uma das culturas mais ricas do mundo e qualidades como povo que outros sonhariam ter. Seremos perfeitos? Ninguém o é. Poderíamos ser muito melhores? Com certeza. O mundo é capitalista, mas com toda a certeza grandeza e qualidade de vida não se medem só financeiramente. E se, algum dia, o “Português Europeu” se tornar um dialecto desconhecido da maioria dos povos (!), lá teremos que finalmente fazer jus ao velhinho que, levantando a cabeça, falou: “Orgulhosamente sós” ! E esta não é uma declaração tão imediata como muitos poderão pensar.

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