Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia (e muitos outros) não aceitam AO90

105fm_logoMiguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia não aceitam novo Acordo Ortográfico

 

Escrito por LUSA – 105 FM – 09 Maio 2015

Os escritores e cronistas Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia vão continuar a usar o Acordo Ortográfico de 1945, questionando a utilidade do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, cujo período de transição da sua aplicação termina quarta-feira*.

Questionado pela Lusa, se a partir de 13 de Maio irá utilizar a nova grafia Miguel Esteves Cardoso foi peremptório: “Claro que não! Nunca. É uma posição de liberdade e patriótica”.

Pedro Mexia, por seu turno, disse que continuará a escrever como aprendeu enquanto o deixarem, mas deixou uma reserva: “se for obrigado a escrever, segundo o novo acordo, não tenho outra alternativa. Não vou deixar de escrever por causa disso, mas só se for obrigado mesmo”.

Esteves Cardoso garantiu que irá continuar a usar a grafia anterior ao acordo nas crónicas habituais no jornal Público e nos seus livros e justifica: “quem quer mudar é que tem de convencer os utentes da Língua que vale a pena fazer essa mudança”.

“Quem faz a Língua, que está em constante mudança, são os utentes, que maioritariamente usam o Acordo de 1945”, salientou.

Para o ex-jornalista, que defendeu a dupla grafia, como acontece com a língua inglesa, “há que dar tempo ao tempo e esperar para ver daqui a 20 anos, qual a grafia que prevalece”.

“Não sei qual é a pressa”, questionou o autor de “Explicações de português”.

O escritor e colunista Pedro Mexia promete opor-se ao novo acordo enquanto lhe for possível, e realçou que a oposição “é muito mais significativa [entre linguistas, académicos, filólogos e escritores] do que no público em geral”.

“A minha posição é de que o acordo não era verdadeiramente necessário. Mesmo que fosse necessário está mal feito, pois não foram suficientemente ouvidas as instituições, as entidades e as personalidades que têm contacto qualificado com a língua, que vão desde linguistas a académicos, filólogos, escritores, etc.”, argumentou o autor de “As vidas dos outros”.

“Por onde quer que nos viremos há mais razões para este Acordo ter sido feito e há razões evidentes pelas quais ele foi mal feito”, acrescentou Mexia.

Segundo Mexia, “o Acordo é um acordo político que pressupõe uma suposta unificação da língua e que as alterações da grafia vão fazer muito pela projecção internacional da língua portuguesa, mas nunca se percebe, em nenhum momento, por quê”.

“O próprio critério de unificação é um critério absurdo porque sujeita a língua à fonética, o que numa língua falada em vários continentes é bastante bizarro”, afirmou.

Para Mexia, “o apreço na língua portuguesa poderá vir da posição do Brasil como nação emergente, e naturalmente não terá nada a ver com a língua”.

“Ao querer unificar acaba por criar várias formas facultativas, sendo uma espécie de unificação com variantes, portanto, não há unificação”, rematou o cronista.

Fonte: Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia não aceitam novo Acordo Ortográfico (rádio 105FM/LUSA, 09.05.15). Transcrição corrigida automaticamente para a Língua Portuguesa. “Links” adicionados.

* O “período de transição da sua aplicaçãoNÃOtermina quarta-feira“, pela simples razão de que não há “transição” entre nada e coisíssima nenhuma.

 

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2 comentários

  1. Acho que a única conclusão lógica é que um Acordo que não entra em vigor ao fim de 25 anos, está morto de forma natural.

  2. Por cá o dia amanheceu exactamente como ontem: o mesmo sol radioso, as mesmas árvores, as mesmas aves cruzando o céu, as mesmas pessoas (felizmente) nos sítios habituais, as conversas e as piadas do costume… Nem a água-de-colónia da rapariga do quiosque mudou. Se o período de transição para a aplicação do AO terminava hoje, quarta-feira, nem eu nem os meus amigos demos por isso.

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